Centro de Desarrollo Regional - Potosí (Centro de Desenvolvimento Regional - Potosí)
É muito difícil descrever a miséria dos mineiros que trabalham nas chamadas minas cooperativas em Cerro Rico de Potosí. Com excepção do uso de dinamite e de lanternas, trabalham com a mesma tecnologia que usavam há 400 anos. A silicose diminui a expectativa de vida dos mineiros em 10 anos, e menos ainda se se considerarem os acidentes, as quedas, as doenças e o frio que sofrem a mais de 4.200 metros de altitude. Os mineiros vivem em acampamentos na montanha inundados de água e esgotos, vivendo à base de uma dieta de arroz, batatas e massa. Os níveis de mortalidade infantil são extremamente elevados (até 50% em muitas famílias) e a saúde está em permanente risco. Algumas pessoas - um grupo pequenos constituídos pelos chefes das cooperativas - ganham muito dinheiro com o lixo do Cerro Rico, mas a maioria das pessoas nas minas trabalham por muito menos do que o salário mínimo e não lhes são dados direitos laborais. Os trabalhadores das minas não são apenas homens: muitas crianças trabalham nas minas, e segundo muitos jovens que ali cresceram, a idade média para se começar a trabalhar na mina é reduzida de ano para ano.
O Centro de Desenvolvimento Regional (CDR) começou por ser uma ONG rural, apoiando a agricultura, a pecuária e pequenas indústrias. Contudo, há alguns anos, pediram-lhe que fizeste um relatório sobre as condições ambientais no Cerro Rico. Ao ver o inferno das minas e das condições em que as crianças trabalham, o CDR alterou a sua missão. Actualmente, dedica-se a oferecer alternativas à infância mineiras para que esta não tenha que trabalhar nas minas, nem como crianças nem como adultos.
O CDR diagnosticou uma série de problemas que afectam as crianças mineiras: má nutrição, exclusão do sistema pedagógico e descriminação quando conseguem um lugar na escola, péssimas condições de saúde e falta de alternativas nas suas vidas. O Projecto Infância Mineira pretende reduzir as violações dos direitos humanos inerentes a esta conjuntura e criar alternativas de vida para os meninos e meninas.
A base do projecto, e o que atrai as crianças e as suas famílias, é uma cantina popular que serve refeições a 250 meninos, meninas e adolescentes todos os dias. As refeições são equilibradas graças a uma nutricionista e são feitas por uma cozinheira e por um grupo de mães que ajudam na cozinha em troca do apoio que os seus filhos recebem. O Projecto lamenta ter espaço e financiamento para alimentar apenas 250 pessoas, uma vez que o número de meninos e meninas malnutridos no Cerro é muito, muito maior. Se considerarmos apenas nas guardianas (as mulheres que guardam a entrada da mina e os haveres dos mineiros), por exemplo, o grupo mais excluído e mais mal pago, vemos que há 200 mulheres com uma média de 8 filhos cada uma.
O almoço funciona como um modo de atrair as crianças, mas a base do programa é o apoio escolar. Dois pedagogos ajudam nos deveres, ensinam como estudar e fazem a tradução entre as diversas culturas - a maioria das crianças tem ascendência Quechua. O projecto tem um computador com acesso à internet, o que é muito útil para a investigação escolar dos adolescentes, e muitos jogos pedagógicos. Um dos projectos mais valiosos são as bolsas escolares para adolescentes e jovens, as quais lhes permitem estudar na universidade ou numa escola técnica. Actualmente 25 jovens beneficiam de bolsas, a maioria das quais para estudar pedagogia.
A saúde também é essencial para o CDR. Uma vez que as guadianas não podem sair da entrada das suas minas, o programa comprou um veículo todo o terreno que consegue chegar mesmo às minas mais remotas. Isto permite que uma enfermeira consiga chegar a todas as guardianas. Este foi um êxito importante, especialmente em questões de saúde sexual, controlo de natalidade e problemas digestivos. Ninguém no Cerro tem acesso a água potável, pelo que o CDR ensinou que deixar água ao sol forte do Potosí durante 6 horas numa garrafa transparente faz com que grande parte dos microrganismos seja morta. Esta técnica barata e caseira foi muito importante para diminuir a diarreia e a mortalidade infantil. O CDR também promove campanhas de saúde: odontologia e saúde oral; uma campanha com antibióticos e educação contra os parasitas, etc.
No entanto, a base do problema mineiro é que não há opções para as famílias pobres: a mina oferece um rendimento seguro aos migrantes (pouco dinheiro, mas pago todos os sábados) e é a actividade em que trabalharam os seus antepassados. Por isso, o CDR promove alternativas à economia mineira, especialmente para as crianças e para as mulheres. Uma alternativa que foi muto bem sucedida foi uma padaria cooperativa na qual trabalham 50 mulheres. As mulheres trabalham aí apenas uma vez por semana, retomando o seu trabalho normal nos restantes dias, pelo que esta não é uma solução económica. Mas mesmo assim, é um pequeno rendimento adicional e oferece uma opção de vida fora das minhas. Outra experiência interessante surgiu da actividade muito praticada por muitos meninos do Cerro de venderem minerais a turista. Um adolescente do CDR criou uma associação de vendedores de minerais, a qual dá formação aos seus membros em atendimento ao comprador e ensina geologia aos turistas, assim como lhes fala sobre as suas vidas. Quando o Shine-a-Light visitou o CDR em 2006, o projecto estava a desenvolver um projecto-piloto para ensinar os jovens a cultivar em estufas, para desenvolver a produção de frutas e verdura para o mercado de Potosí, uma região com escassa produção agrícola.
Na América Latina, os meninos e meninas têm trabalhos muito diversos e desempenham tarefas muito diferentes. Contudo, pode-se sem dúvida afirmar que as minas do Cerro Rico são umas das piores formas de trabalho infantil. O DCR é um dos poucos actores que lidam com esta problemática.
Após a sua visita às minas do Potosí, a SAL escreveu uma análise da conjuntura, dos perigos e das oportunidade para a infância mineira que está disponível aquí: "Niños en la Oscuridad: Trabajo infantil en las minas de Potosí".
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