Conjuntura Nacional da Situação de Rua no Equador
Não se pode entender o Equador sem que seja dado um número: nos anos 2001-2002 mais de 10% da população do país emigrou (1.500.000 pessoas numa população de 13.000.000). Este número mostra a dimensão da grave situação económica no país. Contudo, este número também oferece muitas oportunidades aos meninas e meninas de rua.
A maioria dos migrantes são jovens (entre 20-30 anos), muitos dos quais com filhos. Os filhos vivem com o progenitor que permanece no Equador, ou com os avós ou com os tios. Os pais enviam dinheiro aos seus filhos, pensando que este dinheiro vai permitir uma vida melhor às crianças (uma escola melhor, roupa melhor, mais comida, etc). Mas a realidade é mais complicada. Muitas crianças sentem-se abandonadas e vão para a rua para mostrarem a sua revolta. Outros utilizam o dinheiro que os seus pais enviam para comprar celulares e roupa de marca, ficando depois na rua para os mostrar aos seus amigos.
Por outro lado, muitas pessoas das zonas rurais e das comunidades indígenas estão a migrar para Guayaquil ou para o Quito para trabalhar. Os filhos também trabalham, sobretudo na rua ou nos mercados, locais onde se pode ver a mesma problemática de trabalho infantil que se vê noutros países. Estatísticas do INNFA comprovam que o Equador tem o índice de trabalho infantil mais elevado da América Latina.
Quando o trabalho infantil se junta à migração dos pais, ao crime, ou a casas muito distantes do local de trabalho, inicia-se a trajectória de rua. Felizmente ainda há poucas crianças a viver nas ruas de Quito e Guayaquil (os números são mais preocupantes na pequena cidade de Machala) e existem muitos programas de prevenção (Niñez y Vida, Proyecto Salesiano, JUCONI, e Mi Cometa, entre outros), mas aparentemente a situação está a degradar-se.