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Cores de Belém

Entre os projetos mais interessantes do Município de Belém, deve-se incluir Cores de Belém, que procura fomentar a participação cidadã dos jovens de gangues através do grafite e das artes urbanas. É um projeto de duas partes:

  • A transformação da vida dos jovens excluídos através do grafite e
  • A subversão da hegemonia burguesa através da inclusão das artes marginalizadas na vida cultural da cidade.

Cores de Belém começou como uma pesquisa. Todos haviam notado que a cidade estava cheia de grafites e nenhuma parede ficava limpa, mas ninguém havia averiguado o porquê. A pesquisa descobriu que os jovens excluídos entendiam o grafite como uma luta pelo controle do espaço público, um símbolo para lembrar à cidade que eles existiam. Entre estes jovens nasceu uma consciência política que se expressava através de uma atividade que sujava a cidade.

Uma expressão do filósofo francês Roland Bartes é o outro ponto de partida para o trabalho de Cores: “Queremos textos que não queiram decifrar signos, mas sim produzir sentidos e multiplicar linguagens. O texto é um anagrama do corpo.” Assim, entendiam que os textos dos jovens que faziam grafite podiam ser uma ferramenta para a inclusão dos mesmos, uma apresentação de seus corpos à sociedade. O problema era que o grafite, tal como era praticado, não servia para ganhar o dito reconhecimento.

Ao final dos anos 90, um jovem pesquisador da Universidade Federal do Pará começou a trabalhar com um grupo de grafiteiros da favela de Terra Firme. Sua pesquisa e ativismo inspiraram a criação de um movimento grafiteiro no bairro e uma capacitação em artes e na política. Ao invés de escrever signos indecifráveis nos muros, começaram a pintar arte e legendas políticas, e tambêm, a sentir-se incluídos. Cores de Belém tomou esta experiência como modelo, e os grafiteiros de Terra Firme como educadores.

Atualmente, há 10 grupos de jovens grafiteiros em várias favelas marginais da cidade. A Secretaria de Educação oferece capacitação artística e política para eles, e fornecer espaços onde expressar sua arte em público. Agora, a cidade está cheia de murais coloridos, sempre com mensagens de inclusão. Os grupos também formam líderes juvenis que participam da vida civil.

Cores de Belém procura dar um novo significado à escola, porque tal espaço é chave para o grafiteiro. As crianças pobres quase sempre experimentam a escola como um lugar de exclusão, e por isso fazem muitos grafites lá. Cores de Belém promove murais formais nas escolas, pintados pelos grafiteiros. Da mesma forma, participam da Escola Cabana, que procura se transformar em um lugar mais inclusivo, lúdico e justo. O programa faz o mesmo com os edifícios do governo: convida os grafiteiros para reuniões de capacitação nos ministérios e, assim, incluí-los.

Cores de Belém
Secretaria Municipal de Educação, Coordinação de Esporte, Arte, e Lazer
Avenida Almirante Barroso 2174
Marco, Belém, PA 66060 230

91 276 3493

Contacto: Fátima Monteiro (“Macapá”), macaesport@bol.com.br


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