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EDIAC (Espaços de Desenvolvimento Integral)

O EDIAC nasceu em 1993 (da geração de educadores de rua que também formou El Caracol e Ednica) para trabalhar na Merced, o maior mercado da cidade do México e talvez do mundo. Começou por trabalhar estrictamente com crianças de rua, mas cedo descobriu que haviam outros problemas graves na zona, como por exemplo a prostituição infantil. A Merced, de acordo com Norma Negrete, fundadora do EDIAC, tem uma história de 400 anos de comércio. O comércio sexual também sempre lá existiu.

O trabalho na Merced também mostrou que o trabalho com as crianças de rua é dirigido a meninos e que a metodologia ortodoxa da educação popular não funciona da mesma maneira com as meninas. Muitas vezes os perigos para as meninas são diferentes – trabalhando como empregadas de mesa em bares e restaurantes ou como empregadas de limpeza em hotéis estão expostas à exploração sexual. O ambiente conduz à prostituição infantil – “ a prostituição como organização comunitária”, uma indústria na qual toda a comunidade participa. O EDIAC propôs mudar isto.

Em 1996, o EDIAC fez uma investigação e descobriu que a Merced, na realidade, não é uma zona pobre, uma vez que há muito dinheiro a circular pelo bairro. Também descobriu que para uma menina, um dos poucos caminhos de acesso a este dinheiro era o sexo. Esta investigação foi depois publicada num livro muito completo: “O outro lado da rua”, cujos exemplares em espanhol, infelizmente, se esgotaram. Para obter a versão em inglês escreva ao EDIAC.

A investigação continua a ser parte essencial do trabalho do EDIAC, que tenta integrar o académico e o práctico, baseando-se no modelo do Cecría e de outras ONG brasileiras.

Com a investigação como base, o EDIAC criou em 1997 o Club Mechita (Mechita é o diminutivo de Mercedes, o bairro, mas também significa pavio). É assumidamente um clube e não um “programa” ou um “projecto” e com esta mudança de ênfase, conseguiu que os meninos e meninas se afeiçoassem ao espaço e vissem pertencer ao clube como sendo um prestígio. Cada sócio recebe um cartão e os seus direitos como tal: ver filmes, comer lá, convidar novos sócios a inscreverem-se e, além disso, receber apoio escolar, serviços educativos e psicológicos, trabalho com as suas famílias, etc. É, como o nome da organização diz, um espaço de desenvolvimento integral.

O trabalho das educadoras de rua não é convidar os meninos e meninas para o Club. De facto, não podem fazê-lo porque só os sócios podem propor novos sócios. As educadoras trabalham com a comunidade para a consciencializar do seu papel face à prostituição. Falam com os donos de hotel, empregados de mesa e de balcão que fomentam a prostituição, ou com polícias corruptos. A cada um explicam como “actos inocentes” levam à exploração das meninas. No entanto, o seu maior sucesso foi dar formação a líderes da comunidade que combatem a prostituição infantil.

O Club e a rua passam a ser espaços preventivos da prostituição. O EDIAC teve muito sucesso em evitar que as meninas (ou meninos) vejam a prostituição como o caminho mais fácil.

O EDIAC usa a metodologia italiana da “comunidade terapêutica”, pensada originalmente para o tratamento da dependência de drogas, mas que serve também para prevenir a prostituição. Dentro do clube a influência dos pares tem um papel importantíssimo para construir e fortalecer a resistência das meninas face à prostituição. O EDIAC quer agora sistematizar este método e expermientá-lo noutros contextos.

Para o EDIAC a escola tem um papel fundamental na proposta de alternativas à prostituição. Para muitas famílias da Merced, a escola é um encargo económico que desvia a menina do seu papel fundamental: ganhar dinheiro. O EDIAC tenta por isso equilibrar o peso da educação e do trabalho e considera que apenas a educação abre caminhos fora do mercado e da prostituição. Assim, tenta alterar o imaginário social sobre a educação e trabalha com escolas locais para torná-las espaço agradáveis para as meninas trabalhadoras. Na escola também promovem a participação familiar – 75% dos pais dos meninos e das meninas do clube envolvem-se com as escolas. Por isso, o EDIAC assina contratos com as famílias para assegurar que as crianças frequentem a escola.

Os meninos e meninas do Club Mechita resgatam tradições populares da zona e do Estado de origem das suas famílias. A Assembleia do clube, eleita democraticamente, promove festas, exposições de obras de arte e manifestações de rua.

Actualmente o Club tem 74 sócios activos e envolve muito mais crianças indirectamente.

Shine a Light traduziu a pesquisa inovadora de Ediac ao Português, e é disponível aqui:


Espacios de Desarrollo Integral
Berriozabal #18, Col. Centro
CP 06020 México DF
México

tel/fax 57 02 58 55

Contacto: Norma Negrete <negreteagua@hotmail.com>


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