Fundação de Organização Comunitária
A Fundação de Organização Comunitária (FOC) é composta por organização popular, educação popular, saúde pública e serviços para crianças de rua. Foi fundada em 1980 para capacitar mulheres em saúde pública (educadoras sanitárias comunitárias) e para formá-las como indivíduos de suas próprias vidas. Atualmente, há mais de 3.000 mulheres trabalhando neste campo e que, já há algum tempo, decidiram atender a crianças em alto risco de exclusão social.
Durante a hiperinflação dos anos 90, a FOC procurou organizar micro-empresas a fim de manter os rendimentos dos setores populares. Criaram jardins da infância e treinaram mulheres da comunidade como professoras. Além disso, ofereceu preparação para a escola formal, trabalho que acabou protegendo os adolescentes, especialmente em questões sobre saúde sexual e dependência de drogas.
A FOC treina jovens (em sua maioria pobres, de rua ou em risco de situação de rua) para serem multiplicadores e protagonistas. Eles mesmos se encarregam de ensinar em seus bairros sobre saúde, dependência de drogas, gênero e meio ambiente. Organizam também ligas esportivas e recreação comunitária. Talvez o mais importante é que os jovens acompanham os mais novos na tomada de decisões e demonstram um grande compromisso com as crianças de rua e com o problema da dependência de drogas. De fato, muitos dos multiplicadores tiveram experiência com drogas e com a rua, e por isso não desejam que outras pessoas sofram o que eles sofreram.
Os técnicos da FOC (a metáfora é futebolística) tentam transferir instrumentos de compreensão para que o jovem desenvolva sua resistência. Além disso, criam boas relações com os líderes de bairro para construir um espaço de protagonismo juvenil. Também, articulam relações com universidades, empresas, escolas e outras ONGs.
A FOC sonha com um programa para aproveitar os recursos que estão em desuso. Há muitas escolas com salas de computação que não são utilizadas durante à tarde e a noite, e há muitos técnicos de computadores que querem ser voluntários e que poderiam treinar as crianças nesses espaços. Por este motivo, a FOC pensa em destinar recursos para dar aulas de computação a uma grande quantidade de crianças e a muito baixo custo.
A violência entre jovens é também uma preocupação para a FOC e seus jovens multiplicadores. É freqüente a violência nas escolas (brigas, disputas, porte de facas), assim como o aumento da violência de rua. Nas áreas de subúrbio, as taxas de suicídio são altas e, nos últimos anos, uma onde de violência tem sido direcionada aos professores. Uma recente pesquisa do governo comprovou que a violência em Buenos Aires está quase no nível da Colômbia.
Para responder a esta situação de violência, a FOC promove cursos com os docentes nas universidades, ensinando-lhes formas de se evitar a multiplicação das estruturas hegemônicas de poder e formas de pensar nos estudantes como indivíduos, e não como objetos de ensino. Igualmente, a FOC trabalha com a Rede Sol para pensar em novas soluções no interior das escolas.
Por outro lado, a FOC tem um programa de cinema e vídeo, onde as crianças aprendem a escrever roteiros, a filmar, editar e a fazer filmes. Aprendem também a criticar a realidade através da lente. Este é apenas uma parte do trabalho da FOC diante da cultura de massas: ajuda as crianças a criticar a violência no cinema, na música (a cumbia villera, uma música das favelas), e na televisão.
Fundación de Organización Comunitaria
Elisa Pineda
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