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Como estabelecer e manter relação com os Governos

  1. O Projeto Miguilim (Belo Horizonte, Brasil) é um programa municipal multifacetado que serve de ponto de ligação entre os grupos comunitários ao mesmo tempo que funciona como ONG e providencia financiamento para diferente albergues e outros programas. Uma das suas actividades mais interessantes é o seu trabalho com a polícia local: existe actualmente um batalhão de polícia especial para casos relacionados com crianças de rua, centrado na protecção dos seus direitos humanos e que tenta retirar as crianças da rua. Este programa tornou-se um modelo para outros departamento da polícia na cidade. Uma das razões mais relevantes para o sucesso deste projecto que trabalha para prevenir a saída de casa das crianças, é o seu trabalho com a família na comunidade. Depois de ganhar a confiança da criança e com a sua autorização, os educadores vão a casa da criança e tentam estabelecer relações com a família. Os educadores tratam cada caso individualmente e sabem que, antes de mais, têm que conhecer bem a situação da família. Mais, a relação que estabelecem com a família não é uma relação de autoridade, de hierarquia, em que os educadores se apresentam como sabendo mais. O papel dos educadores é sim de catalisador, de promotor de mudança, seguindo a teoria proposta por Michel Foucault.
    Contacte Marcio ou Marcos Aníbal Miguilim@pbh.gov.br

  2. INESC (Brasília, Brasil) alcançou o sucesso através das pressões políticas no interesse das crianças de rua. Uma vez que esta ONG recrutou um grupo multipartidário de deputados simpatizantes da sua causa, é capaz de fazer pesquisa, submeter propostas e assegurar que as leis relevantes são respeitadas e feitas respeitar.
    No Peru, Acción por los Niños é a ONG mais importante em semelhantes pressões políticas. Este programa foi bem sucedido na alteração de muitas leis a favor das crianças de rua no Peru.
    Contacte:
    <Jussarag@inesc.org.br>
    Jaime Jesús Pérez, Acción por los Niños, postmaster@accionporlosninos.org.pe


  3. O Movimento Nacional de Meninos e Meninas de Rua (todo o Brasil) envolve e trabalha com crianças de rua a nível nacional. Pressionando o Governo, o Movimento tem sido bem sucedido na criação de novas leis de protecção das crianças de rua. Os membros do Movimento são parte dos Conselhos Tutelares – comissões locais compostas por cidadãos comuns e políticos que trabalham juntos para proteger os direitos das crianças.
    Contacte Joseleno dos Santos, joseleno@brhs.com.br o
    Eliena Francisca de Barros, mnmmrdf@mndh.org.br

  4. ADEJUC (Alianza para el Desarrollo Juvenil Comunitário, Guatemala) é um programa de protagonismo infantil no qual mais de 4.000 crianças são educadoras. Organizadas em grupos locais, as crianças exercem pressão política e apresentam petições para que a Convenção dos Direitos da Criança sejam incluída na legislação nacional. As crianças mais velhas ensinam áreas tão diversas como Melhoria de Criação de Gado, Construção de Esgotos, Formação para Mulheres contra a Violência Doméstica e Formação em Cultura Maia para Crianças Maia.
    Contacte, adejucsc@guate.net

  5. No Uruguai existe uma relação estreita entre as ONGs que trabalham com crianças de rua e o Governo. As ONG dependem do Governo ao mesmo tempo que exercem pressão política para mudar as políticas relativamente à situação de rua. O modelo uruguaio é excelente, apesar de ser, talvez, difícil de copiar noutros países. Isto porque o governo de Montevideo se situa muito à esquerda politicamente, e está socialmente consciente, características que raramente se encontram noutras grandes cidades.
    Contacte:
    Juan Pablo Monteverde, Vida y Educación, <vye@chasque.apc.org>; Paula Baleato, El Abrojo, <infancia@adinet.com.uy>; Jorge Freyre, Gurises Unidos, <gurises@chasque.apc.org>, o Hogar Capitanes de Arena <capitanes@sicoar.com.uy>

  6. As relações entre as ONGs locais e as autoridade municipais em Mendoza são também muito estreitas.
    Contacte Sergio Reynosor , Municipalidad De Mendoza, Infancia Y Adolescência, Serfareynoso@hotmail.com

  7. Também se deve ter em atenção os perigos de se manterem relações fortes com o governo. No Brasil, por exemplo, as ONGs recebem a maioria dos seus fundos do Governo, o que lhes permite expandir os seus serviços. Contudo, quando as ONGs recebem financiamento apenas do partido político que está no poder no momento, e não do Governo, arriscam-se a perdê-lo quando o partido é derrotado. Foi isto que aconteceu com as ONGs que receberam financiamento do Partido Trabalhista, que perdeu nas eleições passadas em várias cidades.
    Contacte:
    Carlos Bezzera, <excola@alternex.com.br> o ARCA <arcabt@terra.com.br>

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