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MATRACA (Movimiento de Apoyo al Niño Trabajador y de la Calle) (MATRACA – Movimento de Apoio à Criança Trabalhadora e de Rua)

A Matraca teve o seu início em 1991, fruto de um movimento estudantil nas universidades de Xalapa, uma pequena cidade nas montanhas do estado mexicano de Veracruz. Com a ajuda de um padre jesuíta empenhado na defesa dos direitos da criança, Davíd Fernández, os estudantes juntaram-se para reflectirem sobre a problemática social. Depois dividiram-se em grupos para desenvolverem soluções concretas para problemas locais. Os estudantes que questionaram a situação de rua foram a semente da Matraca.

Durante vários anos os jesuítas apoiaram o projecto, o que foi muito bom para manter o ânimo dos jovens líderes e para a angariação de fundos. No entanto, Davíd Fernández, perseguido pelo governo de Carlos Salinas, foi obrigado a ir para a cidade do México, onde se transformou num dos militantes mais importantes para a causa dos Direitos Humanos. O padre que substituiu Davíd Fernández também teve que se ir embora e nos últimos anos os jovens (então já adultos e empregados) encarregaram-se do trabalho da Matraca. Nesses anos criaram o programa de rua mais importante e com maior sucesso do estado de Veracruz.

A Matraca foi buscar o seu nome ao apoio que dá às crianças trabalhadoras e de rua, mas também a um brinquedo mexicano. Uma matraca é uma caixa que gira muito rapidamente em cima de uma vara e que faz um som muito ruidoso. Como a matraca, a Matraca quer fazer um ruído sonante a favor das crianças excluídas de Xalapa.

Actualmente em Xalapa (uma cidade de 400.000 pessoas), surgiram dados estatísticos que assinalam a existência de cerca de 120 meninos e meninas que vivem na rua e cerca de 3.000 que trabalham na rua.

O programa trabalha em quatro área:

  • A Criança Trabalhadora. A Matraca define esta população como os meninos e meninas que “saem para trabalhar na rua, mas voltam todas as noites para o seu lar. Não cortaram os seus laços familiares ou escolares”. Com estas crianças a Matraca faz um trabalho de organização do seu trabalho, consciencialização e apoio escolar.
  • A Criança de Rua. Estas crianças “romperam os vínculos com a família e com a escola” e apropriaram-se da rua como sendo o espaço onde vivem. Em Xalapa, estas crianças vivem em situação de alto risco de prostituição e toxicodependência . A Matraca oferece-lhes serviços em dois espaços.
    • O “Clube Matraca” é um edifício no centro da cidade onde as crianças podem ir para frequentarem educação informal e oficinas, verem filmes ou, simplesmente, para comerem, tomarem banho e brincarem num espaço seguro. Este espaço define-se como Clube para se livrar do estigma de serviço social.
    • A “Casa Matraca” começou por ser uma resposta aos lares pouco adequados do Estado. Contudo, depois da crise de 1997, esta ideia teve que ser repensada. Actualmente é uma casa para meninas de rua, crianças que de outra maneira não receberiam serviços de hospedagem.
  • Famílias e Comunidade. Esta área consciencializa a população de Xalapa sobre a vida na rua e forma as famílias para a reintegração familiar. A Matraca está orgulhosa de ter ganho a “autoridade de voz moral na sociedade Xalapena”.
  • Meios de Comunicação Social. A Matraca mantém uma pesquisa permanente nos meios de comunicação social em Veracruz com o objectivo de fazer “uma radiografia sobre a situação da infância no Estado”.

O calendário anual também é importante para a Matraca. A fim de consciencializar os Xalapenos e para lembrar às crianças do correr do ano, a Matraca realiza certas actividades regulares.

  • Dia de Reis. A Matraca junta brinquedos que as pessoas lhe doam e oferece-os às crianças de rua. A Matraca realiza uma grande festa no Clube Matraca.
  • 30 de Abril-1 de Maio: em vez de celebrar um Dia da Criança e um Dia do Trabalhador, a Matraca faz um “Festival da Criança Trabalhdora.” O festival realiza-se numa praça movimentada, para que os meninos e as meninas sejam reconhecidos pelo público. A festa celebra a “capacidade das crianças trabalhadoras seguirem os seus estudos.”
  • Dia dos Mortos, Dia de Todos os Santos: a Matraca e as crianças recordam os seus companheiros que morreram na rua.
  • Dezembro: realiza-se sempre uma “Pousada da Criança Traballhdora” que recorda Cristo como jovem carpinteiro e a luta da sua família para sobreviver numa economia injusta.

A Matraca desenvolveu uma postura sofisticada face à problemática do trabalho infantil. Como a UNICEF e a OIT, considera que seria melhor que as crianças não tivessem que trabalhar. Contudo, reconhece que na conjuntura económica actual isto não passa de um sonho. Por isso considera que se deve lutar para melhorar as condições do trabalho infantil, a fim de promover a escolaridade e se criarem condições de economia familiar nas quais as crianças não tenham que trabalhar. “O trabalho infantil é o produto de uma economia injusta... não deveria existir, mas, porque existe, a Matraca defende e apoio a criança trabalhadora.”

A Matraca desenvolveu a sua metodologia com o apoio do Ednica (México, DF) e da MAMÃ (Guadalajara). A Matraca baseia-se na educação popular, na investigação-acção-participação e na teologia da libertação. A Matraca reconhece que a criança é um “sujeito em desenvolvimento” com o futuro em aberto. A Matraca tenta inculcar valores de colaboração, respeito, solidariedade e democracia.

Para ler a declaração de princípios da Matraca em inglês clique aqui.

MATRACA
Insurgentes 58
Colonia Centro
Xalapa, Ver
México

Tel-Fax 228 817 0044

Contacto: Octavio Hernandez <olara18@yahoo.com.mx>
o matracaac@infosel.net.mx


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