Mosoj Yan: Casa de Motivação
A maioria das meninas e adolescentes que participam em Mosoj Yan trabalham na rua e vivem em casa, mas desde há muitos anos que a ONG sabe que também há muitas meninas que vivem nas ruas de Cochabamba. A Casa de Motivação surgiu em 1993 como um espaço que pode mediar entre a vida da rua e um lar ou a família. A ideia original era ter uma casa para meninas de rua, mas elas preferiam ter um centro de dia. O Mosoj Yan respondeu a este desejo.
Infelizmente, a ideia de motivar as meninas a participarem em lares de outras ONGs encontrou problemas, especialmente o desencontro de modelos, entre as ideias de Mosoj Yan e as ideias de outras instituições. Em contrapartida, o esforço de preparar as adolescentes para uma vida independente alcançou grande sucesso.
Com esta situação em mente, 13 anos depois da criação da Casa de Motivação, regressou-se à ideia original de uma casa para meninas e adolescentes que tivessem vivido na rua, algumas das quais com filhos. O espaço, que tinha sido remodelado pouco antes de o Shine-a-Light o visitar, é bonito e aberto, com quartos grandes para as adolescentes, uma horta grande para ensinar as meninas a sustentarem-se e espaços para brincarem e aprenderem. Depois de um processo de educação de rua, as meninas que mostrem o desejo de abandonar a rua vão para um quarto de transição. Neste espaço têm um horário flexível e apoio permanente (mas não intrusivo) e aprendem como viver em comunidade. A Clínica João de Deus ajuda no processo de desintoxicação.
Não há muitas regras ou responsabilidades durante a fase de transição, mas é interessante verificar que muitas vezes as meninas se esforçam por se integrar na vida da casa. No primeiro dia não se levantam antes do meio-dia, mas no quarto dia acordam já às oito. Quando o Shine-a-Light esteve na casa, uma menina nova pediu para ajudar na cozinha e estava a fazer a limpeza para sentir que estava a dar algo em troca da sua casa.
A ideia da troca simbólica é muito importante para a Casa de Motivação. As meninas dão sempre algo em troca das coisas que recebem, para que não fiquem com uma dívida simbólica, que é sempre prejudicial ao processo de criação de novos sujeitos.
Ainda que este seja um programa para meninas e adolescentes, o trabalho de rua inclui os namorados das meninas, especialmente quando a educação se debruça sobre temas de sexo, género ou poder. Se se ensina a menina sobre o preservativo mas o menino não está presente, sabemos que o casal não o vai usar... e se ajudamos a menina no tratamento de IST e não conseguimos tratar o menino, ela vai ficar outra vez infectada. Por isso incluímos os casais no processo educativo. Juntos alcançamos mais. No entanto, só meninas sem parceiro podem entrar para a Casa de Motivação, uma vez que se concluiu que as meninas com parceiro ou as que estão a fugir de um parceiro não reúnem as condições para alcançarem as mudanças pretendidas quando vivem na casa. São precisos outros processos pedagógicos para estas meninas.