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Centro Educativo Ñanta

Em 1998, em resposta às carências alimentares dos meninos que trabalham nas ruas do centro de Sucre, um grupo de pessoas criou uma cantina. A organização cresceu ao longo dos anos, até que em 2002 se formalizou como Centro Educativo Ñanta, uma organização com uma missão bem mais ampla do que a de alimentar as crianças. Depois de vários anos de trabalho, a organização oferece também formação complementar, actividades de lazer e apoio social a quase 150 meninos e meninas que trabalham sozinhos nas ruas de Sucre.

O trabalho de Ñanta divide-se em cinco áreas:

  1. Alimentação - Dá almoço por um preço simbólico de .50 centavos de boliviano (US$ 0.05), providenciando às crianças uma nutrição equilibrada.
  2. Higiene e Saúde - tem duches e lavatórios, assim como aulas de saúde, higiene e saúde sexual (a mais difícil na cultura Quechua, à qual pertence a maior parte das crianças). Tem também serviços de primeiros socorros e acordos com um hospital e vários profissionais de saúde para os casos mais graves.
  3. Pedagogia - Educadores ajudam os meninos e meninas que não estiveram na escola a recuperar o atraso escolar e a fazerem os seus trabalhos de casa. Também tem uma biblioteca, acompanhamento escolar e trabalho administrativo para apoiar a escolaridade das crianças.
  4. Apoio social - os meninos que vão à Ñanta envolvem-se muito menos em gangues e poucos “clefam” (inalam cola), em grande parte pelo trabalho realizados pelos educadores e pela comunidade de meninos da Ñanta. A ONG também tem um dormitório para 10 crianças, para que estas não tenham que dormir na rua se as suas famílias não vivem no Sucre.
  5. Lazer - o programa tem oficinas de artesanato, pintura e música independente. Também organiza campeonatos de futebol e passeios recreativos.

Os meninos e meninas vão viver para a Ñanta porque os seus amigos estão envolvidos com a organização e porque sabem que é um espaço de liberdade. Geralmente, vão primeiro à Ñanta para comer na cantina, mas depois envolvem-se noutras actividades do Centro. Na maior parte das vezes, são crianças que trabalham sozinhas nas ruas do centro, engraxando sapatos ou vendendo jornais. Mas também há algumas crianças que trabalham no cemitério (como guias turísticos, limpando ou rezando pelos mortos a troco de algumas moedas). Há poucas meninas (30%) e a maioria delas, assim como as crianças mais pequenas, vão ao projecto como irmãos dos trabalhadores.

As crianças são geralmente filhos de trabalhadores rurais. Em muitos casos, os seus pais não falam espanhol e não sabem viver na cidade o que faz muitas vezes com que as crianças percam o respeito aos seus pais, subvertendo a autoridade tradicional. Este factor é mais forte do que o alcoolismo e a violência dos pais. A Ñanta trabalha por isso com as famílias através da sua trabalhadora social.

Os educadores da Ñanta preferiam que as crianças não tivessem que trabalhar, mas reconhecem que atendendo ao contexto económico, as crianças têm que trabalhar para sobreviver. Por isso, tentam criar um contexto em que as crianças tenham que trabalhar menos (por exemplo, vendendo os seus almoços a 50 centavos, permitem que as crianças tenham que trabalhar menos tempo para os pagar). Notou-se que as crianças que vão à Ñanta alteram a sua maneira de trabalhar: muitos trabalham menos e outros procuram trabalhos menos perigoso e com menos estigma social.

Centro Educativo Ñanta
Plazuela Cochabamba #315
Sucre, Chuquisaca
Bolivia

643 1888

Contactos:
Centro Ñanta : centronanta@yahoo.com
Marco Santillán: marco@centro-nanta.org
Stephane Soulet (para voluntarios): steph.soulet@yahoo.fr

www.centro-nanta.org


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