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Secretaria de Educação, Belém

Após a eleição de um prefeito popular em 1997 (do Partido dos Trabalhadores), a Secretaria de Educação resolveu preparar uma série de programas recreativos nos bairros mais marginalizados da cidade (uma das mais pobres do Brasil). Esta experiência tem ajudado a prevenir a situação de rua na cidade e a construir a cidadania das crianças mais pobres. Também tem mudado o clima de exclusão e começa a transformar o sistema educativo.

A Secretaria realiza vários programas, mas cinco deles são os mais importantes para a prevenção da situação de rua e a transformação da cultura de rua. Incluímos aqui informação sobre estas experiências.

  1. Cores de Belém (trabalho com grafiteiros)
  2. Lazer: porque esta rua é minha (reinvenção de oportunidades recreativas nas favelas)
  3. Escola de Esportes
  4. Projeto de Dança
  5. Escola Cabana (reforma pedagógica de escolas populares)

Os projetos do município partem agora da idéia de co-gestão, ou seja, que a comunidade deve participar dos projetos que existirão em seus bairros e que os membros da comunidade tenham a responsabilidade de manter tais programas. O município funciona como catalisador para animar a comunidade e outorga o dinheiro em forma de “orçamento participativo”. Esta co-gestão acontece no “Congresso da Cidade”, uma reunião regular de todos os cidadãos que querem participar, e através de conversas com os membros da comunidade.

A pesquisa e capacitação são fundamentais para todos os projetos. As comunidades ajudam em pesquisas sobre elas mesmas: O que querem? Quais são suas capacidades? Quais são suas fraquezas? Fala-se na secretaria sobre uma “pedagogia do diálogo”, onde o governo aprende com a comunidade assim como a comunidade aprende com o governo. A cada 15 dias, todos os educadores se reúnem para serem capacitados em temas intelectuais e práticos. Quando Shine A Light visitou o programa, houve um debate muito interessante sobre a filosofia de Antonio Gramsci e suas lições para a educação popular.

O município participa de uma rede de governos populares, pois sabe dos problemas que podem surgir quando é eleito um novo prefeito que quer acabar com os programas do prefeito anterior. Para evitar este inconveniente, a secretaria faz todo o possível para enraizar os projetos na comunidade e na sociedade civil. Assim, se o prefeito muda, a comunidade pode continuar fazendo projetos de esporte e recreação (note-se que esta filosofia serve muito melhor para programas de baixo custo do que para os programas mais caros de assistência social).

O mais importante para um governo popular, de acordo com a secretaria, é lembrar que os cidadãos são fundamentais na luta por uma sociedade melhor. O Estado tem o dinheiro e a força da lei, mas é o povo que vai realizar as mudanças sociais.

Para facilitar essa mudança, o Estado deve criar novos mecanismos de participação (o Congresso da Cidade, o Orçamento Participativo, a conversação constante com o povo) e deve lembrar que sua maior tarefa não é fazer o trabalho do povo, mas sim inspirar o povo. Esta nova filosofia é vista na secretaria, que quase carece de hierarquia e as crianças vão e vêm livremente. Em quase todo o mundo, o corpo educador do estado se transforma em um corpo burocrático. Mas na secretaria isto não acontece: as pessoas que lá trabalham parecem ser militantes políticos ou trabalhadores de ONGs, e não funcionários públicos.

Para saber mais sobre os projetos individuais, clique nos links no início do documento.

Secretaria Municipal de Educação; Coordinação de Esporte, Arte, e Lazer
Avenida Almirante Barroso 2174
Marco, Belém, PA 66060 230

91 276 3493

Contacto: Fátima Monteiro (“Macapá”), macaesport@bol.com.br


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