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SERPAJ, Programa de atenção alternativa a crianças de rua

O Serpaj foi fundado em 1986 por um grupo de pessoas preocupadas com o crescente número de adolescentes e jovens nas ruas do centro de Santiago. De início, começaram sem um programa definido, mas com a experiência adquirida, passaram a crescer graças à ajuda e solidariedade internacional. No entanto, com o final da ditadura os recursos do exterior foram cortados e o Serpaj passou por uma dura crise. Mais adiante, começou a trabalhar em convênio como Sename (Serviço Nacional do Menor, um ministério do governo federal).

Atualmente, o Serpaj atende a meninos e meninas que trabalham nas ruas, praças e centros comerciais (shoppings) de La Florida, um bairro formado por classes sociais distintas. Uma de suas propostas é capacitar e educar as famílias para que seus filhos não tenham que trabalhar na rua, embora o primeiro passo seja com as crianças.

Geralmente, as crianças desta zona estão na rua para ganhar dinheiro e levá-lo para suas famílias. Alguns mendigam ou vendem próximo aos shoppings, onde há pessoas com maior poder aquisitivo. Muitos vão junto com suas mães. Nos últimos anos, surgiram nesta zona gangues que se enfrentam com as gangues de outros bairros.

Os educadores de rua freqüentam este lugar três vezes por semana (anteriormente a freqüência era maior, mas parte do convênio com o Sename foi perdida), e através de jogos, comida e afeto, estabelecem o primeiro vínculo com as crianças. Em seguida, com a aprovação e ajuda dessas crianças, vão às suas casas para conhecer as famílias e integrar os pais nos projetos de vida de seus filhos. No trabalho com as famílias, a arte de ouvir, o respeito e as visitas regulares, são partes essenciais.

Os educadores também têm boas relações com as escolas de La Florida e isso lhes permite obter êxito na reintegração escolar das crianças. Os professores são capacitados com o objetivo de acolher os novos estudantes e, por sua vez, as crianças são preparadas para retornar à escola (manter um horário, fazer tarefas, colaborar com os professores). Um dos temas mais importantes que desenvolvem é a solução de conflitos ou “educação para a paz”.

O trabalho do Serpaj ocorre na rua ou no seu centro de atenção, aonde as crianças vão para terapias, oficinas ou simplesmente para conversar. As oficinas são oficinas de arte, música, solução de conflitos e sexualidade (onde são distribuídos preservativos, um fator importante dentro do ambiente reprimido da sociedade chilena).

Em sua maioria, os recursos do Serpaj vêm do Estado, com o qual existe uma boa relação e confiança. No entanto, o Serpaj sabe que o Sename tem um “discurso simbólico e emblemático”, que define a criança como objeto de caridade, e por isso requer muito trabalho para não cair nesse mesmo discurso.

Por outro lado, ciente de que as relações entre as crianças são um reflexo das relações entre a equipe de trabalho, o Serpaj presta atenção ao cuidado da equipe e à solução pacifica de conflitos entre os profissionais. Para serem modelos de saúde física, nenhum “tio” (educador) fuma nas salas ou nos lugares onde a criança esteja presente.

As salas do Serpaj foram construídas em cima do lugar onde o governo militar torturava os “subversivos” na década de 70. De vez em quando, ainda passa um fantasma, mas dizem que são fantasmas de esquerda e por isso não perturbam.

Por fim, após experiências não muito boas com voluntários, o Serpaj trabalha somente com profissionais.

Serpaj
9053 Avenida Perú
La Florida, Santiago, Chile

tel/fax: 281 9963

Directora, María Inés Salgado

Serpaj2001@123mail.cl


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