Agência de Comunicação Uga Uga
A agência Uga Uga começou como um projeto experimental da UNICEF, em colaboração com a Secretaria de Educação do Município de Manaus. A idéia era promover o protagonismo juvenil dentro das escolas através dos meios de comunicação. Embora se buscasse ter um impacto em toda a cidade, o fato de que Manaus tinha mais de dois milhões de habitantes e mais de 300 escolas municipais, levou a começar inicialmente como um projeto piloto nas escolas do leste da cidade, a parte mais pobre e violenta de Manaus.
O programa, que em 1997 ainda se chamava Uga Uga, encontrou alguns grupos organizados de jovens: músicos, atores e militantes políticos. Capacitou estes jovens em todas as áreas do jornalismo e lhes proporcionou um orçamento para publicar um fanzine (uma revista informal). Os jovens que participaram neste projeto piloto agora são o coração da equipe de trabalho.
Depois de preparar o primeiro número da revista com temas de interesse para jovens e adolescentes, os jornalistas se deram conta de que não tinham um nome para sua revista. Querendo evitar clichês (Força Jovem etc) e influenciados pelo Capitão Caverna (um personagem de desenhos animados, o qual ninguém jamais acredita ser capaz de ter êxito e que, no entanto, sempre supera os obstáculos apoiado no grito de Uga! Uga!), decidiram adotar o nome curioso que o programa tem hoje em dia.
A UNICEF, impressionada com o projeto piloto, proporcionou fundos para estender o projeto para outras 6 escolas da cidade. Estes núcleos de base tinham o direito de se dedicarem ao que eles quisessem dentro da área de jornalismo. Assim, alguns organizaram fanzines sobre drogas, outros sobre violência e outros sobre ecologia. Atuavam através da revista e através das atividades na comunidade. A revista Uga Uga, já com um aspecto muito mais profissional, continuava atuando na zona leste.
Os núcleos de base se reuniam freqüentemente para planejar atividades mais amplas, mas também surgiram problemas: os jovens de uma das escolas com mais fama não permitiam que jovens de outras comunidades fossem líderes. Os conflitos foram crescendo e Uga Uga decidiu se tornar independente e incluir um novo núcleo.
Depois da publicação de cada número do fanzine Uga Uga, o programa patrocina uma roda de debate nas escolas, onde todos os jovens têm espaço para falar sobre os temas tratados na revista. Não são aulas, mas sim intercâmbios de idéias, onde todos têm a oportunidade de se expressarem.
Para os fanzines dos novos núcleos, a revista Uga Uga sempre serviu de modelo e os jornalistas de Uga Uga foram os educadores. As oficinas de redação, produção e distribuição se desenvolveram facilmente. O problema maior foi na área ética: os jovens que queriam mudanças imediatas em suas escolas estavam dispostos a publicar boatos ou a criticar, sem motivo, os administradores. Os educadores lhes ensinaram que as revistas tinham uma responsabilidade com a verdade e, por sua vez, quando os jovens observaram que os jornais da cidade muitas vezes não eram verazes, Uga Uga insistiu em que exatamente os jovens podiam tornar-se um modelo para os jornalistas profissionais.
Com a ajuda da ANDI e da UNICEF, Uga Uga se tornou uma ONG independente em 2000. Atualmente, segue com o mesmo trabalho de capacitar jovens em jornalismo, mas também integra a análise constante dos meios de comunicação para pesquisar como estes constroem uma imagem negativa da juventude. Também capacita os jornalistas sobre os direitos e a conjuntura dos jovens no Amazonas. Este trabalho é feito com a assessoria da ANDI, a grande especialista neste campo.
Uga Uga também capacita comunidades, conselhos tutelares e ONGs, sobre o abuso sexual, a violência contras crianças e violações dos direitos humanos. O Amazonas carece de programas em favor da infância, embora Uga Uga procure promover a atividade de entidades a favor das crianças e jovens.
Atualmente, Uga Uga trabalha em 14 escolas. Há 21 educadores, e quase todos sentem o orgulho de ser fruto do protagonismo juvenil, ou seja, jovens que aprenderam jornalismo em Uga Uga. A revista distribui quase 13.000 exemplares em 19 escolas, e os fanzines chegam a muitos mais.
Agência de Comunicação Uga Uga
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