Associação de Apoio ás Meninas e Meninos da Região Sé
A Associação de Apoio (AA) começou como um projeto da Pastoral do Menor, em São Paulo, (1992). Aquela época se caracterizava por uma espantosa violência contra os meninos e meninas de rua: assassinatos, chacinas e violações dos direitos humanos, protagonizados pela policia e pela segurança particular. A Associação respondeu à necessidade de se por um fim a esta violência. Sua estratégia era simples: os adultos, especialmente profissionais em direitos humanos, sacerdotes e monjas, acompanhavam os meninos e meninas todas as noites. Ficavam nos baldios dos meninos de rua, sabendo que não matariam uma criança se tivessem que matar um sacerdote também.
Hoje em dia, quando a violência contra as crianças de rua não é tão sistemática e a sociedade de rua não se reúne mais em baldios, a Associação adotou uma nova missão. Agora o programa emprega trabalhadores sociais, advogados e outros profissionais para ajudar as crianças mais vulneráveis. AA se reconhece como a última opção para as crianças abandonadas por outras ONGs, isto é, para aqueles são muito violentos, viciados ou se recusam a participar em outros programas. Entende-se que, para essas crianças, sair da rua é um processo muito mais lento. Neste espaço se desenvolvem muitas oficinas: arte, fotografia, hip-hop, entre outras. Todas as oficinas são realizadas durante à tarde para que as crianças tenham tempo de se recuperarem do ressaca causado pela noite anterior.
Atender às crianças mais difíceis não implica em ajudar-lhes a permanecer na rua. Os centros da AA possuem regras claras e os educadores sempre insistem em mostrar que há melhores opções de vida. Não é permitido que as crianças venham simplesmente para tomar banho, comer e sair; devem comprometer-se em fazer algo para melhorar. A Associação procura superar a mecânica fácil do descartável, atrativa tanto na vida de rua como na vida da sociedade moderna. As crianças, por exemplo, não podem jogar suas roupas no lixo. Têm que lavá-las.
A Associação de Apoio trabalha também com as famílias, mas em menor grau que as outras ONGs. As crianças das quais a AA se encarrega estão muito pouco dispostas a se reconciliarem com seus pais.
Apesar da política de tolerância zero implementada pelo prefeito anterior, e que causou grandes abusos na área dos direitos humanos, a Associação foi conectando-se com êxito a outros organismos do município. Desde alguns anos, por exemplo, a administração do metrô permitiu a Associação trabalhar dentro de seus túneis durante a noite. Isto lhes colocou em contato com outra comunidade de crianças sem teto.
Atualmente, a Associação de Apoio pretende construir uma casa para o tratamento da dependência de drogas. Isto seria muito importante em São Paulo, porque não existem centros de reabilitação ao qual as crianças possam recorrer.
Contacto: Everaldo Oliveira
aacrianca@uol.com.br o everoliveira@uol.com.br
Rua Djalma Dutra 70
Luz, São Paulo, SP
01103 010
tel-fax 011 229 3935