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Alalay

Em 1998, Cláudia González estava a estudar engenharia na Universidade quando encontrou um menino debaixo de uma estátua. O menino chamava-se Joaquim e vivia na rua. Cláudia começou a estudar as dinâmicas da rua e sentiu que tinha uma “missão de Deus”: ajudar as crianças que viviam nas ruas de La Paz. Cláudia começou a encontrar-se com as crianças que dormiam no parque do antigo jardim zoológico, muitas das quais dormiam em árvores, para as conhecer, para jogar futebol com elas e para distribuir comida. Surpreendida por algumas das crianças ainda irem à escola, Cláudia ajudou-os com os seus trabalhos de casa. A organização segue ainda hoje esta abordagem à rua.

Em 1993, os tio de Cláudia ofereceram ao projecto uma casa, a qual os meninos chamaram de Alalay. As crianças chamavam à rua “hotel Alalay”, que quer dizer “frio” em Aymara. Alguns anos mais tarde, a municipalidade de La Paz ofereceu uma “casa de recepção” ao programa, o que permitiu expandir e aprofundar o trabalho da organização.

A interacção entre os meninos que ainda viviam na rua e os que se tinham integrado no programa Alalay há já algum tempo causou alguns problemas: “os novos contaminaram os mais antigos”. Por isso, o programa decidiu desenvolver um processo de transição, através do qual as crianças poderiam beneficiar de uma casa de transição na cidade e depois passarem para as “Aldeias Alalay”, no campo.

Hoje em dia, o programa trabalha com centenas de crianças, tanto em La Paz como em El Alto. Equipas de rua travam conhecimento com as crianças, oferecem comida, dão assistência à saúde e jogam futebol, sempre com o objectivo de convencerem o menino ou a menina a mudarem-se para a Casa da Alalay. O trabalho de persuasão é intenso. Os educadores reconhecem que a decisão tem que ser sempre da criança, mas sabem que os laços de amizade e confiança ajudam. Regra geral, tentam travar conhecimento com a criança nos seus primeiros tempos na rua, porque sem terem vivido durante muito tempo na rua é mais fácil sair dela. As equipas trabalham também com muitos adolescentes que decidiram não abandonar a rua porque “os maiores nos levam aos mais pequenos”, porque alguns adolescentes já têm bebés e porque os laços de afecto continuam a ser fortes.

A fase de transição entre a rua e a primeira casa consiste em duas semanas de “boas-vindas” durante as quais um voluntário ou um psicólogo se encarrega do novato. As crianças vão à rua - porque estão habituados a lá estar e porque o querem - mas com este adulto, para reinterpretar a rua de um ponto de vista diferente.

A segunda etapa é a casa de recepção, a qual incluí duas fases. Na primeira fase, os meninos e as meninas aprendem a abandonar as estratégias de sobrevivência que eram tão importantes na rua: a droga, o roubo, a mendicidade. Para ajudar este processo, Alalay desenvolveu uma série de “degraus” que marcam o progresso, com metas e objectivos claros. Todas as sextas-feiras fazem uma auto-avaliação com ajuda da psicóloga. Os participantes dizem se estão a progredir com sucesso. Toda a gente participa nesta avaliação. “Até as mascotes”. Os degraus têm definições positivas: em vez de “não roubar”, o objectivo é “ser honesto” e os educadores esforçam-se por dar às crianças uma análise crítica positiva. Durante esta fase, a criança tem que regressar à escola.

A segunda fase da casa de recepção é a época em que se desenvolvem valores: resolução de problemas, comunicação, o esforço para se alcançarem coisas, higiene e responsabilidade pessoal. O programa tem uma base cristã, pelo que a questão dos valores é fundamental. Durante esta fase, em vez de “degraus”, os meninos marcam o seu progresso ganhando materiais metafóricos para construir uma casa. As meninas ganham materiais para decorar e mobilar a casa. Quando a casa está pronta, o residente está pronto para a próxima etapa.
Durante todo o tempo na casa de recepção, a trabalhadora social estabelece contacto e trabalha com a família, para poder permitir o regresso da criança ao lar. Em metade dos casos é possível esta reintegração, mas quando não é, a criança tem a oportunidade de ir para a aldeia.

O objectivo fundamental da aldeia é conseguir uma vida normal para os meninos, meninas e adolescentes que nunca a tenham tido. A aldeia é um local privilegiado e os educadores esforçam-se muito para que, na primeira fase, as crianças queiram ir para lá. A aldeia tem uma padaria, uma carpintaria e uma oficina de têxteis e todos os produtos aí produzidos são vendidos no mercado. A educação profissional, tanto na sua escola de Micapaca, como em centros especializados, é considerada muito importante. Das crianças que saíram da aldeia nenhum voltou para a rua.

A Alalay tem um programa já estabelecido em Santa Cruz e em 2006 vai começar um programa Alalay-Trinidad, na zona amazónica da Bolívia. Algumas pessoas pediram a sua intervenção em Cochabamba, pelo que o programa está a pensar expandir-se também para esta cidade. Alalay também patrocina o trabalho da Kidlink, uma iniciativa de alfabetização digital para a infância excluída.

A filosofia da Alalay baseia-se em “acreditamos muito nos sonhos e que se tornam realidade”. A dedicação religiosa também é fundamental para o trabalho da ONG: “Todos os que trabalhamos aqui fomos chamados... para combater a injustiça”.


Hogar Alalay
Avenida 6 de Agosto, Edificio dos Torres
La Paz, Bolivia

Hogar Alalay
Casilla 5745
La Paz, Bolivia

212 1222

info@alalay.org o proyectoalalay@hotmail.com
contacto: Ximena Alarcón, xpalarcon@hotmail.com


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