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Aldeia Juvenil, um projeto da Universidade Católica de Goiás

Aldeia Juvenil é um programa de extensão das faculdades de psicologia, assistência social, e educação da Universidade Católica de Goiás. Sem dúvida, está entre os melhores projetos latino-americanos em favor das vítimas de abuso sexual, emocional e físico. Conta com excelentes recursos para crianças de rua, excluídas ou vítimas de violência.

Os professores e estudantes da Universidade criaram Aldeia em 1982, para integrar os serviços sociais com a área intelectual. Seu objetivo tem sido expor a concepção de um sistema que aprisiona os adolescentes por cometerem delitos pequenos e que vê as crianças pobres como objetos de caridade.

Desde então, tem procurado reintegrar as crianças à sociedade, e orientar seus estudantes para que possam assumir esta tarefa a partir de seus diferentes campos de estudo.

Nos anos 80, Aldeia esteve fundamentada na filosofia de Carl Marx e na pedagogia de Paulo Freire; esta postura revolucionária se expressou como uma resposta consciente contra a ditadura. Posteriormente, nos anos 90, Aldeia começou a trabalhar em temas relacionados com os direitos humanos, considerando especialmente aquelas situações que ameaçam os direitos da infância, e foi iniciando-se no estudo da violência doméstica. Sempre manteve vínculos com o Partido dos Trabalhadores (eleito em 2000 para a prefeitura de Goiânia).

Aldeia Juvenil responde aos problemas das crianças excluídas e das crianças de rua de forma orgânica e multidisciplinar: devido ao fato de que as causas envolvidas em uma determinada problemática são múltiplas, é necessário contar com um sistema de disciplinas que se complementem entre si e respondam solidariamente. É assim que a Aldeia enfrenta problemáticas econômicas, dinamiza as famílias, e transforma a situação social das favelas, proporcionando educação popular (para a comunidade) e terapia (para o indivíduo).

Apesar da violência cotidiana que se vive no Brasil, poucas ONGs conhecem os fatores internos que causam esta realidade. Aldeia, ao contrário, aborda esta problemática de muitas maneiras:

  • Denunciando as violações dos direitos humanos a polícia e a outros atores públicos.
  • Denunciando a violência sexual e doméstica.
  • Promovendo terapia individual e grupal para aqueles que abusam e estupram.
  • Realizando terapia individual e grupal para os que sofreram abusos e estupros.
  • Distribuindo educação popular sobre violência doméstica e sexual.
  • Facilitando que as crianças violentadas contem suas próprias histórias.
  • Trabalhando com o psicodrama.
  • Desenvolvendo terapia lúdica para crianças pequenas.
  • Proporcionando apoio legal.
  • Oferecendo serviços de uma clínica de saúde.

É verdade que a Aldeia Juvenil atende tanto a vítimas como aqueles que cometem os abusos, mas a partir de seu enfoque particular, procura desmistificar as rígidas categorias do “opressor” e do “oprimido”. Entende que a violência não é uma luta maniqueísta entre o bem e o mal, mas sim uma dinâmica muito mais complexa (a filosofia de Michel Foucault serve de estrutura para seu conhecimento). Pretende evitar que a criança se defina como “vítima”, por ser esta um tipo de identidade que a deixará emocionalmente aleijada. Muito pelo contrário, procura desconstruir a estrutura de poder dentro da família, encontrando outras soluções para os problemas que causaram o abuso, e proporcionando à criança um novo olhar sobre si mesma.

Um dos objetivos fundamentais da Aldeia é a formação de estudantes universitários. Trata-se de reestruturar em muitos sentidos, derrubando velhas idéias para iniciar outros caminhos de conhecimento. Muitos estudantes, por exemplo, querem trabalhar com crianças “para ajudar aos pobrezinhos”, e a Aldeia dedica muito trabalho na transformação dessa mentalidade assistencialista. “Estudantes embriagados de piedade não ajudam a ninguém”, é um dos refrões do programa. Pelo contrário, o profissionalismo e um alto senso de justiça, são mais eficazes que o assistencialismo. Seu processo formativo inclui classes de economia e sociologia para entender o contexto particular do Brasil em relação à sua problemática infantil.

Aldeia também promove um estado de permanente reflexão que questione a imagem da criança como uma figura “fraca”. A partir dessa ótica, tendemos tradicionalmente a conceber a criança como um objeto, como vítima de abuso, ou como receptor do assistencialismo e da piedade. Consideramos que a criança é fraca e o adulto é forte. A criança sempre precisa de ajuda, enquanto que o adulto é quem proporciona essa ajuda. O espaço de reflexão tende a mostrar que a criança possui muitos recursos e é capaz de muitas coisas. Que os adultos não são sempre tão independentes, e que as crianças pobres são sujeitos de suas próprias vidas, protagonistas e donos de seu próprio destino.

Rua J-59 Q148L22
São Joáquim
Goiânia, Goiás

tel 062 207 4145
fax 207 2721

pente@ih.com.br

Contacts: Maria Luiza Moura Oliveira (Malú), Sonia Gomes Souza


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