Cepromin (Centro de Promoción Minera) - Cepromin (Centro de Promoção Mineira)
Com o fim dos governos militares na Bolívia, passou a poder pensar-se de novo na organização sindical. Aproveitando a conjuntura, em 1979, vários activistas saíram da clandestinidade para fundar uma organização para promover e dar formação ao sindicalismo no sector mineiro. Cepromin é o resultado. A organização trabalha fundamentalmente na formação de quadros sindicais, mas também apoia a organização de mulheres mineiras e comunidades mineiras, responde a necessidades imediatas, promove a segurança industrial, protege o meio ambiente e desenvolve trabalho nas políticas públicas - tudo o que seja necessário para promover a justiça social nas comunidades mineiras.
Em 1998, a Cepromin iniciou uma investigação sobre o trabalho infantil em Potosí e em Llallagua, duas cidades onde as minas representam a maior parte do emprego e da produção económica. Descobriu-se que muitos meninos e meninas trabalham nestas cidades e que alguns deles trabalham na indústria mineira. Durante a época em que as minas estavam nacionalizadas (até 1986), era impossível imaginar o trabalho infantil nas minas porque o governo as financiava e construiu algumas de grande qualidade, pagava salários elevados a bons professores e ofereceu assistência às comunidades mineira. Os mineiros e as suas famílias ainda consideram esta época como um modelo para o que as suas vidas poderiam ser. Respondendo ao problema do trabalho infantil, a Cepromin iniciou um projecto de formação para crianças e adolescente trabalhadores, com o objectivo de lhes proporcionar oportunidades em trabalhos mais profissionais.
O Movimento Local de NATs (Meninos y adolescentes trabalhadores) surgiu como o resultado deste trabalho, baseado na reflexão política que as crianças e adolescente trabalhadores fizeram nos cursos de formação e no seu desejo de se organizarem para resistir à exploração que passaram a conseguir identificar.
Em 2001, a Organização Internacional de Trabalho (OIT) contactou a Cepromin para que fizesse mais investigação sobre a situação mineira na Bolívia e para que promovesse a discussão sobre o trabalho infantil nas minas. A OIT financiou uma investigação em LLallagua (a norte do Potosí) e descobriu que haviam 175 crianças e adolescentes a trabalhar na industria mineira. A maioria viviam no bairro do Século XX, umas das áreas mais pobre da cidade.
A Cepromin não tem uma atitude abolicionista face ao trabalho infantil e grande parte do seu trabalho centra-se na melhoria das condições de vida dos meninos e adolescentes que têm que ou querem trabalhar. No entanto, a organização conhece as minas e sabe que não é um trabalho qualquer: é extremamente arriscado e prejudica a saúde, assim como não respeita os direitos mais básicos. Na Bolívia, um mineiro tem uma expectativa de vida de 10 anos de trabalho na mina, antes que a silicose o mate ou impossibilite que trabalhe nas minas. Assim, se uma criança começa a trabalhar nas minas aos 12 anos... as contas são assustadoras.
Conhecendo os problemas da actividade mineira - e o desejo de muitas famílias mineiras que não querem que os seus filhos façam este trabalho - e sabendo que o trabalho é necessário e importante para muitas crianças e respectivas famílias, a Cepromin oferece alternativas ao trabalho nas minas. É uma formação integral, que não tenta 'desclassificar'os meninos, mas sim abrir os horizontes. É feito muito trabalho de organização (em colaboração com o movimento de NATs), mas também é feito muito trabalho de reflexão, promoção social, apoio escolar e formação profissional.
A Cepromin não só oferece apoio escolar, mas também dá formação a professores para que melhorem a sua pedagogia relativamente à infância trabalhadora. Este processo foi incluído na tentativa de reformar as leis bolivianas sobre educação, mas as reformas ainda não se concretizaram na prática, pelo que grande parte da transformação depende da atitude de cada professor. Há alguns que aceitam este desafio com energia, mas outros não. Actualmente, a Cepromin está a dar formação a cerca de 320 docentes.
Para além do trabalho directo, a Cepromin também faz trabalho de campanha nas políticas públicas sobre o trabalho infantil nas minas. Em 2005, muitos actores políticos e empresariais assinaram um convénio multisectorial afirmando que as minas são uma das piores formas de trabalho infantil. O Ministério das Minas disse que a infância e o género são dois eixos transversais do seu trabalho, mas este discurso ainda não se reflecte na vida quotidiana das crianças que trabalham neste sector, tão explorador e perigoso.
Cepromin (Centro de promoción minera) -- La Paz
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