Enda - Bolívia
A Enda chegou à Bolívia em 1990 como uma delegação nacional de uma ONG internacional com sede no Senegal. No início, o seu objectivo era a prevenção do uso de drogas, mas nos anos seguintes o programa criou um modelo de atenção integral às necessidades das crianças e adolescentes que vivem ou trabalham nas ruas de El ALto, Trinidad, Guaryaramerin e Biberalta (quatro cidades bolivianas). Em El Alto, a Enda trabalha com mais de 500 crianças e adolescentes em três casas.
O trabalho começa nas ruas frias de El Alto, uma cidade construída a 4.000 metros de altitude. Os educadores travam conhecimento com as crianças nos seus lugares de trabalho: onde trabalham como engraxadores, no comércio, em centros de reciclagem, etc. Os educadores utilizam diferentes técnicas de abordagem e convidam as crianças a participarem no programa. Há alguns anos, as meninas trabalhavam mais com as suas mães, mas gradualmente começaram a fazer trabalhos tradicionalmente considerados como masculinos. Muitas são exploradas no comércio sexual, o que é bastante visível no centro de El Alto.
A primeira casa a receber as crianças é a Casa Fraternidade, a alguns quarteirões de distância do mercado, o centro económico da cidade, onde a maioria trabalha. O objectivo fundamental da Casa Fraternidade é quebrar o vínculo à cultura de rua e reintegrar a crianças na sua comunidade e na sua família, ao que se junta apoio escolar para ajudar a criança a regressar à escola, após reflexão sobre como construir um novo projecto de vida. Os dormitórios de emergência têm capacidade para uma dezena de crianças. Contudo, o objectivo da casa não é ser uma instituição residencial, mas sim promover a transição para uma vida diferente e aprender as normas de comportamento aceites na sociedade. Normalmente, as crianças e adolescentes trabalham no mercado de manhã, almoçam na Casa Fraternidade e passam a trade em sessões e actividades lúdicas e pedagógicas.
A Casa Qantuta (Qantuta é a flor nacional da Bolívia) acolhe as meninas. A casa situa-se em pleno mercado de El Alto, o que facilita o acesso às meninas. Cerca de 100 vão à casa todos os dias para almoçarem e participarem nas actividades da casa. De noite, o mercado fecha e a mesma rua transforma-se numa área de festa, álcool e prostituição. Infelizmente, há poucas opções de vida para as mulheres de El Alto e a maioria das meninas trabalham no mercado de dia ou de noite. No entanto, grande parte da assistência oferecida pela Casa Qantuta é assistência médica para ISTs, gravidez e assitência pós-abortos mal realizados.
Os meninos da Casa Fraternidade querem regressar aos seus estudos, mas isto é mais complicado com as meninas, em grande parte porque as suas famílias e a sua cultura não valorizam a escola para as meninas. Por isso, os educadores fazem muito esforço de consciencialização junto às famílias e às próprias meninas para que regressem à educação formal.
Após algum tempo na Casa Fraternidade ou na Casa Qantuta, as crianças podem passar à Casa Mink'a (trabalho solidário, em Aymara), onde recebem formação técnica. A esta altura, as crianças já restabeleceram laços com a família e regressaram à escola, o que facilita o trabalho pedagógico.
Para além do apoio escolar, dos cuidados médicos e psicológicos e da alimentação, as adolescentes aprendem várias funções que as ajudam a encontrar trabalho digno, sendo este um dos objectivos fundamentais da ENDA. A organização tem uma oficina mecânica e uma carpintaria, onde as crianças aprendem ofícios, ganhando algum dinheiro ajudando na construção dos pedidos feitos por pessoas e pela comunidade. Também fazem quebra-cabeças, vendidos geralmente a infantários e creches, e postais artesanais. Também tem uma padaria que enche o espaço com o cheiro do pão e alimenta todos ao almoço.
Nas três casas, a Enda trabalha com uma vaierdade de estratégias dentro de cinco áreas de trabalho: sócio-jurídico (documentação, relações familiares), pedagógico (formação e regresso à escola), laboral (formação técnica), saúde e investigação. Nesta última área é notável o número de publicações que a Enda tem feito para documentar o trabalho infantil, a prostituição e outros problemas no El Alto.
Para a Enda, o mais importante é acreditar no jovem, e com isso temos conseguido muito bons resultados.
A Enda tem também três projectos em Beni (Amazonas Boliviana), mas o Shine-a-Light não tever oportunidade de os visitar.
En 2008, ENDA nos mandó la siguiente síntesis de sus trabajos.
ENDA - BOLIVIA, Delegación Nacional
Casilla Postal 9772
La Paz, Bolivia
Dirección Física
Plaza España, Edificio Hnos. Gonzales, piso 2 Of. 5
La Paz
Teléfono (591)(2)-2424230, (591)(2)-2424232
Fax: (591)(2)-2422685
Contacto: Carlos Oros: endabolivia@endabolivia.org
www.endabolivia.org