 |
|
Infante
A Infante surgiu em 1988, como resposta à ausência de opções para a protecção de meninos e meninas em situação de abandono. Na Bolívia, a única resposta para estas crianças era a institucionalização em lares, o que não apenas as privava do seu direito à família, como também era pouco eficaz para educar e criar as crianças. A Infante propôs e implementou uma opção que se tornou mais tarde a política oficial do Estado boliviano: o lar substituto. Em Cochabamba, 73% dos meninos abandonados têm famílias para as quais podem regressar. Com os lares substitutos, as crianças mais pequenas (dos 0-6 anos) podem crescer numa família, enquanto os profissionais trabalham para que possa regressar à sua família biológica ou promovam uma adopção nacional.
Em muitos países onde se experimentou o programa de famílias substitutas foi difícil encontrar lares que quisessem receber os meninos e as meninas. Isto não acontece em Cochabamba. Muitas famílias mostram a sua solidariedade social e o desafio para a Infante é a selecção e formação das famílias. Verificou-se que quando a criança em situação de abandono se encontre numa família, a sua recuperação é muito rápida.
Face ao sucesso deste modelo, muitas ONG visitaram Cochabamba para aprenderem com a experiência da Infante. O Governo também reconhece formalmente (ainda que não na prática) que o lar substituto é melhor que o lar institucional. No entanto, a Infante não se limitou a usufruir deste sucesso. Criou sim uma série de programas para reduzir ou prevenir o abandono de crianças. Estes programas incluem:
- Comissões de auto-defesa dos direitos da infância - em 1997, investigadores da Infante foram a várias escolas da periferia de Cochabamba para perguntar às crianças quais dos seus direitos eram mais violados. Da experiência surgiu a vontade de as crianças aprenderem mais sobre os seus direitos e de ensinarem os seus pares. O projecto começou com um grupo de apenas 3-4 voluntários. Nos anos que se seguiram, o projecto passou a incluir 12 comissões, incluindo mais de 300 crianças. As comissões e os seus dinamizadores (normalmente estudantes universitários) organizam eventos divertidos nos bairros e escolas - fantoches, jogos, música, actividades nos intervalos escolares - que ensinam às crianças quais são os seus direitos e promovem a sua implementação. Estes eventos não promovem apenas os direitos. Também mostram que os meninos e meninas são essenciais ao desenvolvimento da comunidade. As comissões também fazem trabalho na política pública. Por exemplo, uma comissão colocou uma caixa de denúncias na sua escola, na qual qualquer aluno pode fazer denúncias de violações de direitos nessa escola. A caixa alterou o comportamento de vários professores abusivos e forçou os departamentos de protecção de menores a intervir em vários casos.
- Mulheres defensoras de direitos - A Infante oferece um curso de dois anos às mulheres das comunidades periféricas, no qual as mulheres aprendem como reconhecer violações dos direitos da criança, como restabelecer o respeito desses direitos e como ter influência nas políticas públicas. Este curso não só criou um novo recurso para as crianças dos bairros, como também mudou a natureza do poder num contexto muito machista e autoritário.
- Campanha contra o tráfico de meninas, meninos e adolescentes - Na Bolívia há redes de tráfico (sobretudo tráfico nacional) de meninos e meninas para fins comerciais: exploração sexual, trabalho industrial ou doméstico, etc. Há muitos anos que estas actividades constituíam um crime. Mas foi graças à Infante e a uma campanha que reuniu mais de 4.000 assinaturas que agora existe uma lei contra o tráfico. Actualmente, a Infante está a trabalhar com o Governo e com a polícia para fazer com que esta lei seja cumprida.
- Casa de Refúgio - Em muitos casos, as mulheres abusadas e os seus filhos não têm onde encontrar refúgio do marido violento. A Infante criou por isso um espaço de refúgio para estas pessoas. A sua metodologia foi muito importante para o sucesso do programa. A metodologia inclui duas equipas, uma para as mulheres, outra para as crianças, que providenciam um cuidado integral para todos. As crianças têm acesso a terapia familiar (com o marido violento, se possível) e a apoio escolar. Os educadores trabalham para encontrar os pontos fortes e as capacidades das crianças. Este projecto é actualmente um modelo nacional.
- Centros comunitários - em vários bairros periféricos de Cochabamba, a Infante financia centros diurnos, nos quais as crianças podem aceder a apoio escolar, actividades, nutrição e apoio familiar.
Desde o seu aparecimento como resposta à necessidade de se criarem opções para a infância abandonada, a Infante tornou-se numa instituição integral para a defesa, protecção e restituição dos direitos a meninos, meninas, adolescentes e mulheres.
Infante Promoción Integral de la Mujer y la Infancia
Lorena María Yáñez Directora Ejecutiva
Av. Simón López #1647 Piso 3
Casilla #864 Cochabamba, Bolivia
(591) 4 4305218- 4302616 FAX - 4288789
direccion@infante-bolivia.org www.infante-bolivia.org
www.supernet.com.bo/infante
|
|