La Luciérnaga (O Vaga-Lume)
A revista La Luciérnaga é um dos programas mais criativos na América Latina, dirigido à crianças trabalhadoras e de rua. Quatrocentas crianças são operadoras e vendedoras da revista, que vende 50.000 exemplares por mês. A revista custa US$ 1,00 e as crianças ficam com 75% do rendimento (um bom emprego nesta cidade). Os 25% restantes vão para os custos da revista, os serviços educativos e os salários dos profissionais. Talvez o êxito mais importante da revista, cujo conteúdo ensina sobre a vida das crianças pobres, é ter mudado o imaginário social de Córdoba. A maioria das pessoas deixou de ver as crianças de rua como um problema, e os reconhecem como trabalhadores, dedicados e humanos.
Oscar Arias, um funcionário público, fundou La Luciérnaga em 1995 com seu próprio dinheiro e iniciativa. O propósito era recuperar as crianças como indivíduos e reivindicar suas condições de trabalho. O Sr. Arias percebeu que vender era o único trabalho que não era mal visto e que era rentável para as crianças pobres. Além disso, podia ser vinculado à escola e, ao mesmo tempo, conscientizar a população de Córdoba. No começo, a sustentabilidade do projeto era frágil, mas se fortaleceu quando as crianças decidiram contribuir com 25% de seus rendimentos para a revista formar um capital próprio.
Nesses primeiros anos, a solidariedade da comunidade foi muito importante. Uma comunidade religiosa emprestou sua casa, sem nenhum tipo de prestação em troca e outras pessoas se uniram como voluntários. Atualmente, conta-se com quatro profissionais, entre educadores e redatores.
Em 1998 a revista era pequena, contando apenas com 98 crianças e alguns adultos. No entanto, quando um programa de televisão fez um a reportagem sobre a revista, a participação das crianças aumentou, bem como o número de pessoas de diferentes partes do país. Apesar disso, houve um período de crise, que foi superado mais adiante (em 1999), quando conseguiram comprar imprensa própria.
A maioria dos artigos são escritos por intelectuais e jornalista de Córdoba, que não recebem nenhuma remuneração em troca. A impressão e diagramação também são trabalhos feitos pelos voluntários (o diagramador, Sarlanga, é um senhor de 90 anos que trabalhou com Ernesto Sábato, Eduardo Galeano e outros escritores do Cone Sul).
A revista depende do trabalho de voluntários. Há multiplicadores que foram vendedores da revista. Também, há professores que ajudam os vendedores a voltarem para a escola.
Na revista as crianças aprendem sobre administração, jornalismo, redação e todos os trabalhos relacionados com uma revista. Outras oficinas os capacitam para a vida, para reingressar na escola, ou para unir-se com suas famílias novamente.
No último ano, outras ONGs têm copiado o modelo da Luciérgana. El angel de lata em Rosario; Changuitos em Santiago de Estero, e Baliletes em Paraná. Apesar do pouco tempo, o pessoal da revista tem se disposto a ajudar aqueles que querem aprender de sua experiência.
Apesar de tudo, existem problemas legais com este modelo, já que por lei as crianças menores de 14 anos não podem trabalhar na Argentina. Podem participar de oficinas, ir à escola e aprender o ofício, mas não podem vender a revista. No entanto, o modelos lhes tem permitido o auto-sustento, um desafio que nenhuma outra ONG desse tipo conseguiu alcançar.
Eliana Lacombe, editora da Luciérgana, escreveu sua dissertação sobre a experiência das crianças trabalhadoras na revista. A dissertação se chama "El Juicio de la Mirada" (O Juízo do Olhar), e pode ser baixada aqui.
Fundación La Luciérnaga
Casilla de Correo 535
Córdoba (CP 5000), Argentina
0351 460 1398
Contacto: Laura Albertini.
Dirección: Av Veléz Sarsfield 1180, subsuelo, barrio Güemes.
Teléfonos: 0351 4681059, 0351 4605663
E-mail: fundacionlaluciernaga@gmail.com
www.laluciernaga.org.ar