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Maya, Paya, Kimsa

A Maya, Paya, Kimsa (“um, dois, três” em Aymará) é a única ONG em La Paz e El Alto que se especializa em educação de rua. Desenvolveu, por isso, uma metodologia original baseada na dignidade e igualdade dos meninos e meninas que vivem na rua. A Maya, Paya, Kimsa reconhece a importância dos mecanismos de sobrevivência que as crianças desenvolvem na rua e em vez de anular estas capacidades para “normalizar” a criança, utiliza estes mecanismos como base de uma educação transformadora.

Como ONG a Maya, Paya, Kimsa tem poucos anos de vida, mas os educadores têm experiência de trabalhar nas grandes instituições de La Paz, pelo que conhecem as suas forças e limitações. Sabiam, por exemplo, que muitos grupos fazem uma abordagem de rua baseada na comida, o que funciona para algumas das crianças, mas não para todas. Por isso criaram uma abordagem não assistencialista, reconhecendo que as crianças são capazes de encontrar a sua comida e a sua diversão. O que o educador de rua pode oferecer é algo mais profundo: um vínculo pessoal, um desafio para pensar a vida de outro modo, educação. “A nossa oferta é a nossa pessoa” é a filosofia da ONG.

Assim como há várias fases para a adaptação à rua, também há fases para aprender a conviver com a sociedade “normal”. A Maya, Paya, Kimsa considera que atravessar estas fases e aprender estas novas normas pode ser traumatizante. O projecto de vida pode ajudar a criança a mediar neste processo de transformação, porque com uma meta para a sua vida aprende a lidar com as dificuldades. Os educadores “são ferramentas no seu progresso”, não protagonistas do processo, mas sim pessoas que são úteis à construção e realização do projecto de vida. No entanto, são “ferramentas que pensam”, ajudando a criticar e a reflectir sobre as possibilidades que se apresentam às crianças.

Os educadores trabalham na rua, integrando o lúdico, o pedagógico e o pessoal, aproveitando um campo de futebol existente perto de onde as crianças costumam estar. Na rua também oferecem primeiros socorros. Se uma criança assim o quiser, pode ir para a casa da Maya, Paya, Kimsa, onde a pedagogia lúdica é feita através de jogos, de um pequeno campo de futebol, futebol de mesa e outras actividades. Um aspecto muito interessante da casa é que dá um novo significado, simbolicamente, à vida de rua: um dos elementos básicos da casa é um “bar”, com a mesma geografia do espaço onde muitos meninos e meninas trabalham ou sobrevivem, mas adquirindo ali um conteúdo educativo.

A Maya, Paya, Kimsa não tem um lar para crianças nem quer ter. Contudo, sabe que é uma necessidade para os meninos e meninas que vivem nas ruas. Como parte do projecto de vida, o menino ou a menina tem que decidir entre três opções: regressar à família, ir para um lar de outra ONG ou tornar-se independente. Os educadores são absolutamente honestos para com as crianças que escolhem um lar sobre o que isto implica: horas de levantar, deixar de trabalhar ou não, horários, regras, etc. Se esta é a decisão dos meninos, os educadores tentam encontrar o espaço que melhor se adeqúe a cada criança, explicando sempre que a transição vai ser difícil e que a criança vai ter que decidir que o sacrifício vale a pena. Desta maneira, “fazemos o trabalho sujo das ONGs”, travando conhecimento com a criança e preparando-a para a vida no lar.

Alguns adolescentes conseguem alcançar a sua independência, sobretudo graças a um programa que oferece casa e trabalho. Outros regressam às suas casas e às suas famílias.

A Maya, Paya, Kimsa trabalha com vários grupos que assustam outras ONGs: os adolescentes que furtam ou roubam e as meninas e adolescentes exploradas sexualmente. Com esta segunda população, o trabalho começou recentemente, mas com a primeira população a ONG teve já alguns sucessos. Um ladrão tem o que necessita - comida, casa, roupa, etc - pelo que a metodologia não assistencialista é mais apropriada. Descobriu-se que o essencial para fazer pedagogia de rua com esta população é o respeito. Depois de se estabelecer o respeito e o reconhecimento mútuo, é possível uma educação séria e a reflexão sobre um projecto de vida.

Maya, Paya, Kimsa
Calle 7 #750, Villa Dolores
El Alto, La Paz, Bolivia

Casilla 1930
El Alto, La Paz
Bolivia

591 2 282 6469

contactos: Juan Pablo Castro: juanpablo@mayapayakimsa.org
Martín Berndorfer: martin@mayapayakimsa.org
iniciativa@mayapayakimsa.org


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