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Shine a Light teaches the digital arts to marginalized children all over Latin America, so that their communities can come to see themselves -- and show themselves -- in a new light.

COMPA

Iván Nogales
compain@yahoo.com

www.compatrono.com

Ciudad Satélite Plano 404, Calle 17-B #615
El Alto, La Paz
Bolivia

Casilla 1823
La Paz, Bolivia

(591) 2 281 1284

No final da década de 80, o Estado encarcerou um grande número de crianças que viviam na rua. Era comum na altura, e o mero nome “centro de reabilitação” amedrontava muitas crianças. Com o humor negro de La Paz, os “centros de reabilitação” passaram a ser chamados de “Trono, porque ali se vivia como um rei”. Davam comida e cama e não se tinha que fazer nada.” “Tronado” também queria dizer “detonado” ou “avariado”, o que deu um duplo sentido ao lugar. Neste contexto, apareceu o jovem actor e sociólogo Iván Nogales, que sonhou com um grupo de teatro composto por crianças e adolescentes que tivessem vivido nas ruas.

Nas sessões na prisão infantil, Claudio, Ángel, Chilla, Iván, e outras crianças imaginaram uma comunidade de produção artística que mais tarde criaram. Imaginaram que a comunidade ficava no El Alto, com um teatro, um cinema, estúdios de música e um albergue para crianças que não tivessem onde viver. As crianças também reflectiram sobre as suas vidas e criaram uma peça de teatro que reflectia as suas experiências. Fizeram vestuário para a peça com os restos de pano que sobraram de uma das sessões de costura e artesanato, e sonharam levar a peça a teatros na Bolívia e no estrangeiro.

Nos últimos 20 anos, quase todos os sonhos do grupo se realizaram. A companhia de teatro Trono (sim, adoptou o nome da prisão onde se formou inicialmente) fez muitas digressões na Europa, Estados Unidos e América Latina. Actualmente, vários dos fundadores do grupo são professores de teatro e música. Também construíram uma casa - na verdade um edifício grande - feitos integralmente com materiais reaproveitados. O edifício da Compa é actualmente um farol da cultura da cidade satélite de El Alto, visível e dramático no meio das construções de tijolo e barro da cidade. Centenas de crianças da comunidade passaram pelos programas e companhia de teatro, dança, música e artes plásticas da Compa e muitos mais beneficiaram da oferta cultural da Compa-Trono.

Quando se vai à cidade satélite, a Compa destaca-se: as suas numerosa janelas recicladas, os terraços e os murais saltam à vista. Para se chegar ao edifício, tem que se passar pela "Calle de la Cultura" - “Rua da Cultura” - (com tal nome dado pelo governo boliviano), cheia de arte de rua, e entrar por um portão aberto, onde se pode encontrar um pequeno restaurante e espaço para encontros comunitários. A entrada para a mina está no piso inferior. A mina pode ser visitada por grupos escolares que queiram aprender mais sobre a história e a resistência mineira na Bolívia, num espectáculo apresentado por meninos e meninas da Compa. As minas são tão realistas que os estudantes quase sempre tiram “ouro” - pedras pintadas - da mina.

Subindo a escada, encontra-se a entrada pública do teatro: o público senta-se em degraus num semicírculo, e o espectáculo é apresentado num palco rebaixado, o que cria um ambiente muito íntimo - mas contudo profissional - no teatro. 

Há alguns anos atrás, os artistas e o público pensavam que La Paz era o centro da vida artística do país. Um dos grandes sucessos da Compa-Trono foi a descentralização das artes. Actualmente, o público sobe ao El Alto para assistir a bom teatro, abrigando-se contra o frio, para experimentar algo feito na cidade mais nova e mais pobre da Bolívia. Para ler algumas reflexões sobre uma obra de teatro que ali vimos, representada por crianças dos 10 aos 14 anos, carregue aqui.

O piso seguinte tem uma cinemateca, onde os jovem passam cinema alternativo para comprovar que há filmes muito mais interessantes que os de Hollywood, uma biblioteca e um estúdio de dança, onde há sessões de dança clássica, espanhola, folclórica, etc. A dança tem sido muito importante no desenvolvimento da Compa-Trono, uma vez que apoia o processo de “descolonização do corpo”, a luta mais difícil e importante que a comunidade enfrenta.

O terceiro piso é o mais dinâmico e mais interessante porque tem estúdios de teatro e de música. Na maior parte do tempo é possível encontrar grupos de jovens a ensaiar peças de teatro. Quando Shine-a-Light visitou o projecto, um grupo estava a fazer os preparativos finais para uma digressão por Yungas (zona amazónica perto de La Paz), na qual ia apresentar peças de teatro destinadas a promover a reflexão antes da Assembleia Constituinte. A obra debruçava-se sobre a relação económica entre a periferia e o império, representado por empresas locais e globais de chocolate. Outro grupo de jovens investigava e ensaiava uma peça sobre a revolução boliviana de 1952, na qual os mineiros e trabalhadores rurais criaram um governo o qual, apesar da esperança que criou no povo, teve curta duração. A peça criou muitas oportunidades de se gritar “¡viva a reforma agrária!” (o que é sempre divertido para os adolecentes), mas também abriu um espaço de reflexão sobre os deveres do povo em momentos de esperança e sobre as causas do fracasso da revolução.

Outro grupo de teatro - este com uma mistura de idades, com meninas de 8 anos e adolescentes de 16 - estava a começar os seus ensaios para uma peça sobre o papel da coca na resistência do povo indígena contra o colonialismos e o imperialismo. A peça defendia que a coca fortalece os oprimidos, mantendo viva a possibilidade de resistência aberta.

Assistir aos ensaios de teatro é fascinante por vários motivos. Primeiro, é um exemplo importante de protagonismo infantil, porque quem organiza as sessões não são os adultos, mas jovens e adolescentes. São estes que escrevem e modificam os guiões, criam a coreografia (aliás, muito criativa) e incorporam na peça a música e a dança. Também é interessante porque os ensaios fazem uma ponte entre o sério e a brincadeira: os actores brincam continuamente, mas os resultados são muito bons.

Também no terceiro piso se pode ouvir o som de bombos, da flauta e de outros instrumentos andinos. Quando o Shine-a-Light visitou o projecto, os “tronitos” (um grupo de teatro composto por meninos e meninas entre os 8 e 14 anos) estava a gravar um CD de música local e crioula. O grupo tinha tido sessões com um professor profissional, mas também tinha passado muito tempo a praticar e a ensaiar sozinho. O disco pode ser ouvido em www.compatrono.tk. Carregue no em “Tronitos” (recomenda-se em particular a canção n.º 5 “Mamita”.)

Subindo mais um pouco encontra-se o Albergue, um espaço não para as crianças, mas para os voluntários e para os amigos internacionais, mas que se incorpora dentro da estrutura da Compa porque os meninos e as meninas se sentem tão à vontade neste espaço como nos seus próprios estúdios. Também neste piso se encontra outra sala de ensaios de música, o estúdio de vídeo (uma iniciativa nova da Compa-Trono) e um bonito espaço de reuniões. Nos pisos superiores encontra-se a casa de Iván e um terraço com a vista mais bonita de La Paz, com o Illimani (6.400 metro) numa direcção e o Huayna Potosi (6.088 metro) na outra.

A actividade artistico-política de Compa-Trono não se limita ao seu edifício. Aos sábados (e também em alguns outros dias), o teatro-camião, um camião articulado, sai à rua e converte-se num palco. Os actores apresentam os seus espectáculos em escolas, feiras culturais e eventos políticos... ou em qualquer outro espaço para o qual sejam convidados. A Escola Móvel, com as suas actividades e lições lúdicas, viaja com o teatro-camião, assim como um enorme jogo de xadrez que pode ser jogado em conjunto pelas crianças da comunidade. Os jovens da Compa vão muitas vezes às escolas de El Alto, La Paz e das províncias dos arredores, para fazerem sessões de teatro e música.

A Compa-Trono não quer ser uma instituição que estigmatize ou “dê uma tatuagem” às crianças, e por isso está aberto a toda a gente. A maioria dos participantes vêm das comunidades periféricas de El Alto e dos bairros altos (pobres) de La Paz. Porque não é expressamente destinada a crianças de rua, conta com o apoio de muitos pais, os quais vão ao edifício todas as noites para verem como progride a arte dos seus filhos. Os pais são também os espectadores mais importantes das peças de teatro. Existe também um forte vínculo à comunidade, tanto através das artes como das escolas: cerca de 600 professores foram formados pela Compa-Trono para incluírem artes nas suas aulas.

Em Cochabamba, a sucursal da Compa trabalha nos bairros marginalizados. Em Santa Cruz a sucursal faz sessões de teatro e música para crianças que participem noutras ONGs (por exemplo CalleCruz, Fundación Sepa ou Mi Rancho).

Os primeiros actores da Compa-Trono sonharam com uma arte que transformasse a realidade, uma opção pacífica e construtiva à guerrilha revolucionária. Os eventos de 2005, nos quais os jovens de El Alto depuseram dois presidentes e iniciaram o processo que levou Evo Morales ao poder, são apenas uma manifestação de como a recente importância das artes de El Alto realizou este sonho.

At the end of the 1990s, the police incarcerated a group of children that had been living on the streets of La Paz. The phenomenon was common in those days, and the simple name "Rehabilitation Center" frightened any kid unlucky enough to live on the street. Bolivians love irony, so the children began to call the jail "The Throne." "There you live like a king! They give you food and a bed and you don't do anything!" "Tronado" also can mean "destroyed," which gave a double meaning to the joke.

A young sociologist and actor, Iván Nogales, proposed an arts project to the jail: he and the jailed children would create a theater troupe. The idea was so strange that the prison bureaucracy accepted it, and a small group of kids began to dream of drama. Chilla, Claudio, Ángel, and several other children imagined a house in the impoverished neighborhood of El Alto, with a theater, cinema, music studios, and bedrooms for kids with no place else to live. As they dreamed this dream, they also created a play about their lives, made costumes from the rags left behind in the washroom, and talked about the stage.

Amazingly, in the last twenty years, almost every dream has been realized. The Trono theater company, named after the jail where it was created, has toured Europe, the US, and Latin America. Many of the group's founders are now theater and music teachers for a new generation of marginalized children. They built a huge building from recycled materials, a kind of lighthouse of culture in El Alto, where children come from all over the city for arts, theater, music, video, and dance workshops.

Walking through Ciudad Satélite, at the end of El Alto at 14,000 ft above sea level, Compa stands out. Its windows come from colonial and modernist buildings; its terraces and balconies hang elegantly above the street, and its towers look rather like a castle. In spite of its hodgepodge of styles, the building is brilliant, and has influenced a whole school of Bolivian architecture. After walking along "Culture Street" and walking in the open front door, one passes by a small restaurant and community space. A pit opens in the floor, the opening to "The Mines", a museum dedicated to teaching children about the traditions of miners in Bolivia

Climbing the staircase, one arrives at the public entrance of the theater, where the audience sits in a "U", rather like in the Globe of Shakespeare's day, providing both an intimate and professional feel. For many years, everyone in Bolivia saw La Paz as the country's artistic center, but one of the great achievements of Compa-Trono has been to decentralize the arts. Today, the country's elite take taxis and cars and buses up onto the cold altiplano to see poor children act in avant-garde theater. There are now several children's and teenage theater companies that perform here.

The next floor holds a movie theater, where a group of teenagers shows alternative cinema, showing that there are movies much more interesting than what one might see in Hollywood. There is also a library and a ballet studio, where teachers offer classes in classical ballet, modern dance, folklore, and even flamenco. Dance is essential to Compa-Trono's work, because it helps to "de-colonize the body" of the mostly indigenous children who come to the site for arts education.

The third story is the most active and interesting, because that's where the practice studios are. At all hours of the day, one can find a group of children or teenagers working on a new play; when I was there, two groups were preparing for a tour of the Yungas (part of the Amazon jungle below La Paz), where they were going to present plays to help people think about the coming Constitutional Assembly. One play dealt with the relation between the center and the periphery of the global economy, represented by local and international chocolate companies. Another play represented the events of the short lived Bolivian revolution of 1952. The play offered numerous opportunities to yell political slogans (always fun for adolescents), but it also opened a space for reflection about the responsibilities of the public in moments or radical change, like what has happened in the last several years in Bolivia.

Compa's work with theater is fascinating for many reasons. First, it is a clear case of children become agents in their own lives, because the teachers and organizers of the workshops are all young people. They write and adapt the script (with tremendous creativity) and bring in music and dance. As children's theater, the work is always a balance between serious and playful, but most of the time they accomplish it quite well.

One also hears the sounds of Andean instruments from the music studio on the third floor. When I visited, a group of children from 8-14 years old was recording a CD of indigenous and criolla music, where they worked with a professional teacher, but also spent hours and hours practicing and teaching each other. You can listen to the disk at www.compatrono.tk : click on the button that says "Tronitos." (#5, "Mamita", is particularly good).

On the fourth floor, one comes to the Hostel. In the end, the space is for international volunteers, and not for street kids, but it is fully a part of Compa, and the kids feel as comfortable in these rooms as anywhere else. On this floor one also finds another music studio, a video editing studio (a new project for Compa-Trono) and a nice space for meetings. Above, one finds Iván Nogales's small house, and an open terrace with the most beautiful view in Bolivia, with Illimani (6400 meters) and Huayna Potosí (6000 meters) so close you could touch them.

Compa-Trono's activities range far beyond the building. Every Saturday -- and many other days -- the "theater-truck" takes culture around the city. The converted tractor-trailer turns into a stage, where the young actors present plays at schools, street fairs, political demonstrations... and a Mobile School, full of educational games, brain twisters, and an immense game of chess. In many cases, the young actors perform and then give workshops at a local school or community center.

Compa-Trono does not want to be an institution that stigmatizes or labels kids as "poor", "street" or "Indian", so it is open to everyone. Most of the participants come from the poorest neighborhoods of El Alto and La Paz, and the program does all that it can to integrate parents into the process. Every night there are parents in the halls, watching their children practicing, while also building an adult community. Compa-Trono also works with schools to build community, and the program has trained more that 600 teachers in arts education.

Compa-Trono has expanded to work in Cochabamba -- in marginalized neighborhoods -- and in Santa Cruz -- with children served by other organizations.

The first actors of Compa-Trono dreamed of art that could transform reality, a peaceful and constructive alternative to the guerrillas. The events of 2005, when the young people of El Alto -- many of them artists and musicians -- peacefully overthrew two corrupt governments and brought the first Indian President in Bolivia to power, offers a tribute to how well they realized their dreams.

Al final de la década de 1980, el Estado encarceló a un grupo de niños que habían vivido en la calle. Era común en aquellos días y el mero nombre del "centro de rehabilitación" daba miedo a muchos muchachos: con el humor negro de La Paz, llamaron a esta cárcel "El Trono, porque allí vivís como un rey. Te dan comida y cama y no tenés que hacer nada." "Tronado" también quiere decir "detonado" o "roto", lo que dio un doble sentido al lugar. Dentro de este contexto, apareció el joven actor y sociólogo Iván Nogales, quien soñó con un grupo de teatro compuesto por niños y adolescentes que habían vivido en las calles.

Durante los talleres en la cárcel infantil, Claudio, Ángel, Chilla, Iván y otros chicos imaginaban la comunidad de producción artística que ellos iban a crear. Iba a ser en El Alto, con un teatro, un cine, estudios de música, y un albergue para niños que no tenían donde vivir. También reflexionaron sobre sus vidas y crearon una obra de teatro que representaba lo que ellos habían experimentado. Hicieron ropa para el teatro con los desechos de un taller de costura y artesanía, y soñaron con presentaciones en teatros en Bolivia y en el exterior.

En los últimos 20 años, casi todos los sueños del grupo se han realizado. La compañía de teatro Trono (sí, tomó su nombre de la cárcel donde se formó) ha hecho muchas giras en Europa, Estados Unidos, y América Latina; ahora, varios de los fundadores del grupo son profesores de teatro y música. Construyeron una casa -- en realidad, un edificio grande -- todo de desechos y chatarra, y el edificio de Compa ahora queda como un farol de cultura en la Ciudad Satélite de El Alto, visible y dramático en medio de la arquitectura de ladrillo y adobe de la ciudad. Cientos de niños de la comunidad han pasado por sus talleres y compañía de danza, teatro, música, y artes plásticas, y muchos más han aprovechado de la oferta cultural presente en Compa-Trono.

Bajando por Ciudad Satélite, Compa ya es evidente: sus numerosas ventanas recicladas, terrazas, y murales saltan a la vista. Para llegar al edificio, se camina por la "Calle de la Cultura" (así nombrado por el gobierno boliviano), llena de arte callejero, y se entra por un portón abierto, donde hay un pequeño restaurante y espacio para encuentros comunitarios. También en la planta baja está la entrada a las minas, donde grupos escolares vienen para aprender sobre la historia y resistencia minera en Bolivia, en espectáculos presentados por niños y niñas de Compa. Las minas son tan realistas que los estudiantes visitantes casi siempre toman el "oro", piedras pintadas.

Subiendo la escalera, se encuentra la entrada pública al teatro: el público se sienta en gradas en forma de un U, y el espectáculo se desarrolla en un espacio abajo, lo que da un sentido muy íntimo -- pero a la vez profesional -- a la experiencia teatral. Hace años, los artistas y el público pensaron que La Paz era el centro de la vida artística del país, pero uno de los grandes logros de Compa-Trono ha sido la descentralización de las artes. Ahora, el público sube a El Alto para asistir a buen teatro, abrigándose contra el frío y experimentando algo de la ciudad más nueva y pobre de Bolivia. Para leer algunas reflexiones sobre una obra de teatro que yo vi allí, actuado por niños y niñas de 10-14 años, haga clic aquí.

La siguiente planta tiene una cinemateca, donde los jóvenes muestran cinema alternativo para comprobar que hay películas mucho más interesantes que las de Hollywood, una biblioteca, y el estudio de ballet -- donde se dan talleres de danza clásica, española, folklórica, etc. --. Danza ha sido muy importante en el desarrollo de Compa-Trono, porque apoya el proceso de "des-colonización del cuerpo", la lucha más difícil e importante que la comunidad hace.

La tercera planta es la más agitada e interesante, porque allí se encuentran los estudios de teatro y música. Casi siempre se encuentra un grupo de jóvenes ensayando una obra de teatro: cuando yo la visité, un grupo hacía las preparaciones finales para una gira por las Yungas (pueblos amazónicos cerca de La Paz), donde iba a presentar obras de teatro para motivar a la reflexión antes de la Asamblea Constituyente. Su actuación trató de la relación económica entre la periferia y el imperio, representado por empresas locales y globales de chocolate. Otro grupo de jóvenes investigaba y ensayaba un obra sobre la revolución boliviana de 1952, cuando mineros y campesinos hicieron un gobierno que duró poco tiempo, a pesar de la esperanza que inspiró en el pueblo. La obra ofreció mucha oportunidad de gritar "¡viva la reforma agraria!" (siempre divertido para adolescentes), pero también abrió espacio para reflexionar sobre los deberes del pueblo en un momento de esperanza y las causas de fracasos revolucionarios.

Otro grupo de teatro -- éste una mezcla de edades, con niñas de 8 años y adolescentes de 16 -- estaba empezando sus ensayos de una obra sobre el papel de la coca en la resistencia del pueblo autóctono contra el colonialismo e imperialismo. La obra postula que la coca da fuerza a la gente reprimida, manteniendo viva la posibilidad de resistencia abierta.

Asistir los ensayos de teatro es fascinante por varios motivos. Primero, es un ejemplo importante de protagonismo juvenil, porque los que organizan los talleres no son adultos, sino los jóvenes y adolescentes. Ellos escriben y modifican los guiones, hacen la coreografía (muy creativa, a propósito), e incorporan la música y danza. También es interesante porque los ensayos hacen un puente entre lo serio y lo juguetón: los actores están jugando constantemente, pero los resultados son muy buenos.

También en la tercera planta se suela escuchar el sonido de bombos y zampoñas, y otros instrumentos andinos. Cuando estuve de visita, los "tronitos" (un grupo de teatro de niños y niñas entre 8-14 años) estaban grabando un CD de música autóctona y criolla. Habían hecho talleres con un profesor profesional, pero también pasaban mucho tiempo practicando y ensayando solos. Se puede escuchar este disco en www.compatrono.tk -- haga click en el botón "Tronitos" (se les recomienda #5, "Mamita".)

Subiendo aún más, se encuentra el Albergue. No resultó ser un espacio para niños de la calle, sino para voluntarios y amigos internacionales, pero se incorpora dentro de la estructura de Compa, porque los niños y las niñas se sienten tan cómodos en la sala de los voluntarios como en sus propios estudios. También en esta planta se encuentra otra sala de ensayo de música, el estudio de video (una iniciativa nueva de Compa-Trono), y un bonito espacio para reuniones. Llegando a las plantas altas, hay la casa de Iván y una terraza con la vista más bonita de La Paz, con el Illimani (6,400 metros) en una dirección y el Huayna Potisí (6,088 metros) en la otra.

La actividad artística-política de Compa-Trono no se limita a su edificio. Los sábados (y algunos otros días), sale el teatro-camión, una tracto-mula que se convierte en un escenario. Los actores presentan sus espectáculos en colegios, ferias culturales, acciones políticas... o en cualquier espacio donde se les invite. Junto con el teatro-camión viaja la Escuela Móvil -- con actividades y lecciones lúdicas -- y un inmenso juego de ajedrez, donde niños y niñas de la comunidad juegan colectivamente. Los jóvenes de Compa salen mucho a las escuelas de El Alto, La Paz, y provincias cercanas para dar talleres de teatro y música.

Compa-Trono no quiere ser un institución que estigmatice o "de un tatuaje" a niños y niñas, así que es abierto para todos; la mayoría de los participantes son de las comunidades periféricas de El Alto y los barrios altos (pobres) de La Paz. Porque no es explícitamente para "niños de la calle", cuenta con el apoyo de muchos padres y madres, los que se encuentran en el edificio cada noche, interesados en cómo avanzan las artes de sus hijos; también son los espectadores más importantes de las obras de teatro. También hay un fuerte vínculo con la comunidad, tanto a través de las artes como por las escuelas: unos 600 maestros han sido capacitados por Compa-Trono para incluir las artes y sus salas.

En Cochabamba, la sucursal de Compa trabaja en barrios marginales. En Santa Cruz, ofrece talleres en teatro y música para niños y niñas que participan en otras ONGs como CalleCruzFundación Sepa, o Mi Rancho.

Los primeros actores de Compa-Trono soñaron con una arte que transformase la realidad, una opción pacífica y constructiva a la guerrilla revolucionaria. Los eventos del 2005, donde los jóvenes de El Alto derrocaron a dos presidentes e iniciaron el proceso que llevó a Evo Morales al poder, son sólo una manifestación de como el nuevo énfasis en las artes en El Alto ha realizado este sueño.


Colaboración: Digital Aymara