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Shine a Light teaches the digital arts to marginalized children all over Latin America, so that their communities can come to see themselves -- and show themselves -- in a new light.

Mediación de Conflictos

Hernando Roldán

hrs@epm.net.co

Calle 54 #64-10
Bloque 17, apt 302
Barrio Restrepo
Medellín, Antioquia
Colombia

57 4 5118347

Hernando Roldán é famoso em Medellín, a cidade mais violenta da América e talvez do mundo, pela sua capacidade de resolver conflitos e construir o tecido social nos bairros destruídos pela guerra e pelo tráfico de droga. Numa entrevista com Shine-a-Light, Roldán explicou o seu método.

Antes de mais é importante fazer a distinção entre a violência e o conflito. Todas as comunidades têm conflitos e as comunidade violentas não têm nem mais conflitos, nem conflitos diferentes do que aqueles de qualquer comunidade. A diferença é que comunidades violentas perderam os instrumentos para resolver os seus conflitos e a violência surge como a única ferramenta que restou.

Muitas pessoas querem acabar com a violência através da negociação com os actores violentos. Segundo Roldán este é um caminho errado. Em vez de trabalhar com os actores violentos, é importante fortalecer os líderes sociais, isto é, aqueles que contribuem para o bem da comunidade. Em todos os bairros violentos existe tensão entre os líderes cívicos (comunidades de base religiosa, professores respeitados, mães da comunidade, talvez a cabeleireira ou a padeira) e os líderes não cívicos (os gangues, as guerrilhas, talvez a polícia ou o exército). As comunidade são complexas e se nos dirigirmos aos líderes violentos como líderes legítimos eles já estão a ganhar.

Para percebermos este processo temos que entender a base do poder dos actores violentos. Sim, têm armas e as pessoas têm medo, mas o seu poder provém de outras fontes. Os grupos armados oferecem serviços à comunidade: protecção, emprego, dinheiro, comida e mesmo um sentido de identidade. Cada serviço que oferecem retira força aos actores cívicos, legítimos e não violentos. Assim, para diminuirmos o poder dos gangues, temos que fortalecer os líderes cívicos.

Como entrar na comunidade? Os políticos não são úteis, porque muitas vezes são escravos dos actores violentos ou têm a sua própria agenda para cumprir. É necessário descobrir líderes independentes, pessoas que sejam respeitadas por toda a comunidade. Pode ser o barbeiro ou a “madrecita” (uma figura tipicamente colombiana, um tipo de sacerdotisa para os gangues, que os critica e perdoa). Outras vezes será um bom jogador de futebol ou a mulher que canta vallenatos nas festas.

A amizade com estas pessoas abre apenas uma porta para a comunidade. Aquele(a) que quer resolver conflitos não pode colocar-se ao lado de apenas um actor comunitário. Deve construir uma rede de trabalho que inclua todos os líderes comunitários: os grupo de mães, o líder dos homossexuais, dos negros, dos músicos, dos jovens, dos deslocados... todos os líderes não violentos. E, mais importante, o projecto proposto deve beneficiar toda a gente. Se o projecto se destina a fomentar micro-empresas, os micro-empréstimos devem ser concedidos a todos os grupos. Construir um campo de futebol para as crianças não é suficiente se não houver uma rede de voleibol para as meninas. Líderes populares são sempre excluídos da sociedade geral, pelo que a sua inclusão na comunidade é muito importante.

A concertação dos líderes civis tem já um plano e, na verdade, os gangues não se lhe podem opor. Gangues e guerrilhas (de esquerda e de direita) justificam o seu poder pelo bem que trazem para a comunidade e exercem-no através da fragmentação da comunidade. Um plano que beneficie e que seja suportado por todos não pode ser negado.

É importante que o plano beneficie também os membros dos gangues enquanto indivíduos, mas não enquanto grupo: os membros dos gangues mais jovens devem poder jogar no campo de futebol, ou devem ter a possibilidade de encontrar trabalho na nova padaria. O gangue retira a sua força dos benefícios que oferece aos seus membros e se outro actor social oferecer os mesmos benefícios, os jovens têm uma opção.

O novo plano comunitário fomentará nova tensão porque o equilíbrio de poder se vai alterar. Actualmente Roldán sugere como solução o “pacto cívico”, um contrato escrito entre os membros da nova sociedade civil organizada. Este é um processo lento. Implica ir porta a porta chamar todos para se reunirem para assinarem um pacto de convivência.

Os actores armados também assinam o pacto, mas enquanto indivíduos e não enquanto grupo. Estes actores, tal como os outros, aceitam três condições: não agredir a comunidade civil, respeitar os bens públicos que prestem serviços à comunidade (escolas, igrejas, centros de saúde) e respeitar os serviços públicos que ajudem a comunidade.

Quando se fala da polícia como serviço público, os membros de gangues dizem sempre “mas os polícias não ajudam a comunidade. Não resolvem problemas. Nós resolvemos!” Deste modo abre-se a porta a uma ampla discussão sobre soluções de problemas e de conflitos. Lentamente, instigados pelos líderes comunitários, os membros dos gangues dão-se conta que não resolveram nenhum problema. Reconhecem que mataram inocentes. A auto-definição de gangue é de “serviço à comunidade”. Esta tomada de consciência é por isso um duro choque. Imediatamente dão-se conta que as armas automáticas e de destruição maciça também prejudicam a comunidade, como uma ferida.

Em pouco tempo o gangue perde a razão de ser.

Perder a sua justificação não significa o fim da violência. Em muitos casos o gangue permanece como um conjunto de puros malfeitores, sem adoptar um discurso de benefício para a comunidade. Nesta altura é muito importante fazer um pacto formal de reconciliação, que perdoa os jovens violentos e os integra na comunidade, nas novas padarias, no novo campo de futebol, nas igrejas, nas escolas. É necessário aproveitar as capacidades das crianças: a sua capacidade de liderança, o seu carisma e a sua auto-definição como seres activos.

Este processo teve um impacto impressionante em muitos bairro de Medellín, mas requer a sua multiplicação.

In Medellín, the most violent city in Latin America -- maybe the world -- Hernando Roldán is famous for his ability to resolve conflicts and to construct a social fabric in even the worst neighborhoods. In an interview with Shine a light, he explained his methods.

First, one must distinguish violence from conflict. Every community has conflicts, and violent communities don’t even have more of them -- they have just lost the instruments by which people solve their quotidian differences. Violence is the only tool left.

Many people hope to reduce or end violence through negotiations with those who commit acts of violence, but Mr. Roldán does not believe that this technique works. Instead, he says, one must strengthen “social leaders,” those who work for the good of the community. In all violent neighborhoods, there will be conflicts between “civic leaders” (respected teachers, certain mothers, base community or church leaders, maybe the hairdresser or the baker) and “non-civic leaders” (gangsters,paramilitaries, maybe the police or the army). These communities are complex, and if we accept the non-civic leaders as legitimate, then they have already won.

To understand the process, one must understand where gangs get their power from. Yes, they have weapons, and people are afraid of them, but their real power has another source. Gangs provide services to the community: protection, jobs, money, donated food, even a sense of identity. Each service they provide takes away a little bit of the authority of the civic leaders. Thus, to undermine the power of violence, one must strengthen civic leaders.

How does one enter the community? Politicians don’t work: they are often slaves of the gangs, and they always have a different agenda. Instead, we have to find autochthonous leaders, people respected by their neighbors. It is often the barber or the “madrecita” (a typical Colombian figure: an older woman who plays the role of mother confessor for the community), sometimes a good football player or the woman who sings vallenatos at parties.

This person will only open the door to the community, because anyone who wants to end violence cannot affiliate h/erself with only one interest group. Once the door is open, s/he must create a network of all community leaders: the mother’s group, the gay leader, the black leader, the best dancer, the leader of the kids, the refugee spokeswoman... all of the non-violent leaders. Even more importantly, the proposed project has to benefit everyone. If you want to support small business, micro-loans must go to representatives of all interest groups. Building a football field for the boys won’t work if you don’t also make a volleyball court for the girls. Small scale leaders are used to being excluded, so their inclusion will turn them into firm allies.

The “leaders’ alliance” now has a plan, and the gang leaders can’t really oppose it. Gangs and guerrillas (left and right wing) justify their power through the goods they provide to the community, and they exercise their power through dividing that same community. They cannot oppose any plan that benefits everyone and that everyone supports.

This plan must also benefit individual gangsters, while providing no benefit to the gang-as-institution. Young gangsters must be able to play football on the field or find work in the new bakery; the gang gains strength because only it can help its members. When another person or institution offers a similar benefit, gang members have an option and can defect.

With the new community plan, tension will increase. The balance of power in the community has changed. As a solution, Mr. Roldán suggests a “Civic Contract,” written and signed by all members of the new social network. The process is slow, demanding door-to-door canvassing for the signatures of everyone who lives in the neighborhood.

Gangsters and guerrillas also sign the contract, but as individuals, not as a gang. They, just like everyone else, accept three conditions:

  1. Not to attack civilians
  2. To respect civic goods that serve the community (schools, churches, health centers)
  3. To respect public services that help the community

The last point is the most difficult, because the gangs refuse to respect the police. “The police don’t serve the community,” the gangsters and guerrillas say. “They don’t solve problems and stop crime, but we do!” Such a statement opens the door to a long conversation where the authority of the new civil society is paramount. Do the gangs solve problems? Do they prevent crime? Slowly, encouraged by their mothers, their priests, their barbers (everyone who has signed the Civic Contract), the gangsters realize that they don’t solve problems and that they have killed innocent people. The self-definition and self-justification of the gang is the “service” it provides to the community, and coming to terms with its basic untruth is a shock. They soon come to see that automatic weapons and bombs also hurt the community, as does “protection money.”

The gang has lost its raison d’etre.

Unfortunately, the collapse of self-justification does not mean the end to violence. In some cases, the gang will go on as it has, but accepting its own evil and forgetting the good it is supposed to do for the community. For exactly that reason, the community must formally forgive the gangsters and welcome them back into the civic community -- as workers in the bakery, players on the football field, even Sunday school teachers and high school students. The community must also take advantage of the ex-gangsters’ skills and strengths -- they have learned leadership and charisma in their gangs, after all.

This process has worked wonders in several Medellín neighborhoods.

Hernando Roldán es famoso en Medellín, la ciudad más violenta de América, talvez del mundo, por su capacidad de resolver conflictos y construir el tejido social en barrios destruidos por la guerra y el narcotráfico. En una entrevista con Shine a light, él explicó su método.

La primera cosa importante es hacer una distinción entre violencia y conflicto. Todas comunidades tienen conflictos, y las comunidades violentas no tienen más conflictos, ni conflictos diferentes, que las demás comunidades. La diferencia es que comunidades violentas han perdido los instrumentos para resolver sus conflictos, y la violencia queda como la única herramienta.

Mucha gente quiere eliminar la violencia por negociar con los actores violentos. Según Sr. Roldán, éste es un camino equivocado. En vez de trabajar con los violentos, hay que fortelecer los líderes sociales, los que contribuyen al bien de su comunidad. En cada barrio violento, habrá tensión entre los líderes cívicos (comunidades eclesiales de base, profesores respetados, madres comunitarias, talvez el peluquero o la panadera) y los líderes no-cívicos (las pandillas, las guerrillas, talvez la policía o el ejército). Comunidades son complejas, y si accedemos a los líderes violentos como líderes legítimos, ellos ya ganaron.

Para imaginar este proceso, hay que entender el por qué del poder de los actores violentos. Sí, tienen las armas, y la gente tiene miedo, pero su poder proviene de otras fuentes. Las pandillas brindan servicios a la comunidad: protección, empleo, dinero, comida, un sentido de identidad. Con cada servicio que brinda, se les quita la fuerza a los actores cívicos, legítimos, y no violentos. Entonces, para subvertir el poder de las pandillas, hay que fortelecer los líderes cívicos.

¿Cómo abrir la puerta a la comunidad? Los políticos no sirven, porque muchas veces son esclavos de actores violentos, o tienen su propia agenda. Hay que buscar los líderes autóctonas, la gente que recibe respeto de toda la comunidad. Puede ser el peluquero, o la “madrecita” (una figura colombiana, un tipo de sacerdotisa para las pandillas que les critica y perdona.) Otras veces será un buen jugador de fútbol, o la mujer que canta vallenatos en la fiesta.

Amistad con esta persona sólo abre las puertas: él (la) que viene a resolver conflictos no puede afiliarse con un solo actor comunitario. Debe construir una red de todos los líderes: las madres comunitarias, los gays, los negros, los músicos, los jóvenes, las desplazadas... todos los liderazgos no-violentos. Y, más importante, el proyecto propuesto debe beneficiar a todos. Si es para fomentar microempresas, los micro-préstamos se deben conceder a todos grupos. Construir una cancha de fútbol para los muchachos no sirve si no hay una red de volei para las niñas. Liderazgos populares son ya siempre excluidos, entonces su inclusión supera mucho.

La concertación de los líderes civiles ya tiene un plan, y, de verdad, los pandilleros no lo pueden oponer. Pandillas y guerrillas (de izquierda oderecha) justifica su poder por el bien que ellos traen a la comunidad, y lo ejerce por la fragmentación de la comunidad. Un plan para beneficiar a todos no se puede negar.

Es importante que el plan benificie a los pandilleros como individuos, pero no como banda: que los jóvenes juegen en la cancha de fútbol, o mejor, que encuentren trabajo en la nueva panadería. La pandilla saca su fuerza de los beneficios que otorga a sus miembros, y si otro actor social otorga los mismos beneficios, los jóvenes tienen otra opción.

El nuevo plan comunitario fomentará nueva tensión, porque la balanza de poder va cambiando. En este momento, Sr. Roldán sugiere un “pacto cívico,” un contrato escrito entre todos los miembros de la nueva sociadad civil organizada. Es un proceso lento, de ir de puerta a puerta para llamar todos a una reunión, a para firmar un contrato de convivencia.

Los actores armados también firmen el pacto, pero como individuos, no como pandilla. Ellos, al igual como todos los otros, acceptan

  • no agreder a la comunidad civil
  • de respetar los bienes públicos que sirven (escuelas, iglesias, centros de salud)
  • de respetar los servicios públicos que ayudan a la comunidad

Cuando se habla de la policía como servicio público, los pandilleros siempre dicen, “pero los policías no ayudan a la comunidad. Ellos no solucionan problemas, pero nosotros, sí!” Así se abre la puerta a una larga conversación sobre soluciones de problemas y conflictos. Lentamente, los pandilleros se dan cuenta que no han solucionado ningún problema; reconocen que han matado inocentes. La auto-definición de la pandilla es de servicio a la comunidad, y este darse cuenta es un choque duro. De pronto, se dan cuenta que las armas de destrucción masiva también perjudican a la comunidad, al igual como la vacuna.

Dentro de poco, la pandilla ha perdido su razón de ser.

Perder su justificación no quere decir el fin de la violencia; en muchos casos, la pandilla seguirá como puros malos, sin un discurso de beneficio a la comunidad. En este momento, es muy importante hacer un pacto de reconciliación, que perdona los jóvenes violentos y les reintegra a la comunidad -- en las nuevas panaderías, la nueva cancha de fútbol, en las iglesias y las escuelas. Hay que aprovechar de las capacidades de los muchachos: su liderazgo, su carisma, y su auto-definición como actores.

Este proceso ha tenido un impacto impresionante en muchos barrios de Medellín, pero requiere multiplicación.


Colaboración: Trincheras Ciudadanas