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Shine a Light teaches the digital arts to marginalized children all over Latin America, so that their communities can come to see themselves -- and show themselves -- in a new light.

Pé no Chão

Jocimar Borges 
penochao@terra.com.br

Grupo de Apoio Mútuo Pé no Chão
Avenida Guararapes 86 SL 802
Santo Antônio, Recife, PE 50010 000

81 3424 6077

O Grupo Pé no Chão é um dos projectos mais inovadores e criativos em educação de rua e activismo político na América Latina. Um verdadeiro modelo para qualquer programa que queira melhorar a sua pedagogia de rua. O Grupo Pé no Chão propõe reflectir profundamente sobre a pedagogia e a política e ir além de Paulo Freire.

"Pé no Chão" é uma expressão dos meninos de rua do Recife quando pedem esmola: “Estou com os pés no chão (porque não têm dinheiro nem mesmo para chinelas), lutando pelo meu pão de cada dia”. Mas “ter o pé no chão” também significa uma prática fundamentada no quotidiano e na realidade social e não num mero idealismo. Assim, o nome capta os dois aspectos mais importantes do trabalho do Grupo.

Desde o início que o Grupo teve os pés no chão e por isso o seu primeiro projecto foi fazer a primeira investigação profissional sobre a verdadeira vida dos meninos e meninas de rua no Recife. Querendo saber detalhes sobre a vida dos meninos, foi falar com as famílias de 60 deles, provenientes da favela da Encruzilhada. Porque abandonaram a casa? Há quanto tempo estavam na rua? Qual era o seu horário na rua? Alguma vez voltaram para casa? Mantinham algum tipo de relação com algum parente? Ser menino ou menina era importante?

No início dos anos 90, um discurso de piedade sobre o “menor abandonado” reinava no Recife pois as pessoas pensavam que as crianças eram abandonadas ou orfãs. Por isso, os resultados da pesquisa do Grupo foram uma verdadeira bomba. O Grupo descobriu que 78% dos meninos de rua do Recife mantinham fortes vínculos familiares e que todos se tinham matriculado na escola pública em alguma altura da sua vida. Igualmente, 80% haviam sido abordados por uma ou várias entidades de serviço social. Esta investigação exigiu a reorientação dos serviços destinados aos meninos e meninas de rua, dirigindo-os à família e à escola. O Grupo dedicou-se a este programa.

Uma vez que as crianças disseram que tinham acesso aos serviços sociais e porque a sua pesquisa indicou que o trabalho com as famílias e com a escola das favelas poderia ser muito mais eficaz, o Pé no Chão decidiu não construir novas estruturas – casas, lares, centros de dia, etc. O Grupo também sabia que melhorar as condições das favelas e das escolas das favelas poderia mudar as estruturas de poder dentro da família e no Governo, permitindo depois levar as crianças a voltar para as sua comunidades. O Grupo sempre quis ser um movimento revolucionário e não apenas uma ONG que administra miséria ou ajuda apenas algumas crianças.

O trabalho comunitário está na base da filosofia do Grupo, mas o seu trabalho começa sempre na rua, a qual tentam transformar num espaço educacional. A sua reflexão teórica sobre a educação de rua leva o Pé no Chão para além da maioria dos projectos que trabalham na mesma proposta. Ao contrário de outros programas, o Grupo não defende que a rua é em si mesma um espaço pedagógico - a rua tem que ser transformada num espaço digno de maneira a educar em todos os sentidos da palavra. Por isso, limpar a rua ou a praça é a primeira coisa que os educadores fazem, colocando o lixo no caixote do lixo e limpando o passeio com água e sabão. Depois, armam uma grande tenda amarela (símbolo do sol) e vermelha (símbolo de luta), quase como uma tenda de circo, para criar um ambiente de rua mas fora da rua. A tenda protege do sol e cria um espaço que pertence aos meninos e às meninas – se um polícia ou outro adulto quer entrar na tenda tem que lhes pedir permissão.

Os educadores chegam à rua com ferramentas lúdicas: malas com jogos e um mini-ônibus que serve de ludoteca móvel. Dentro da tenda é fácil estabelecer novas regras: respeito pelas regras dos jogos, abstenção de prática de violência, abstenção do uso de drogas... Isto é conseguido porque a tenda cria um novo contexto onde as crianças se podem comportar de maneira diferente. Os educadores fazem as crianças perceber que a tenda é só uma passagem, uma antecâmara para uma vida diferente.

A expressão artística, política e linguística é a base de todo o trabalho do Grupo. Lamentavelmente, falar e expressar-se é muito difícil para os meninos e jovens que vivem na rua porque têm níveis de escolaridade muito baixos e porque se habituaram a um discurso fixo e simples enquanto mendigam. Os habitantes da cidade consideram que eles são lixo e assim a auto-expressão mais fácil para as crianças é uma representação do conceito de “lixo” que têm de si mesmos. Assim, a primeira tarefa dos educadores é “partir” este espelho permitindo abrir espaço a uma nova identidade.

O Pé no Chão desempenha esta tarefa através das artes urbanas: hip-hop, grafitti, breakdance e percussão. Os educadores também trabalham em artes plásticas que saem do lixo: quando limpam a rua guardam sempre alguns bocados de lixo interessantes para reciclar em “arte-encontrada” (na tradição de Marcel Duchamps). A metáfora é óbvia: “as pessoas pensam que você é lixo, mas no entanto o lixo não é lixo. A sua vida também pode ser uma obra de arte!...”

As equipas de rua dividem o seu trabalho desempenhando dois papéis: o de educador e o de “oficineiro”. O oficineiro é um especialista em arte – um artista de grafitti, uma dançarina de hip-hop ou um percussionista – e o educador é um pedagogo profissional. Enquanto o oficineiro ensina, o educador observa o ambiente e os meninos. O educador tem que se perguntar o que impede a boa aprendizagem? Estão todos interessados? Todos participam? Têm medo da presença de outros actores na praça (polícias, comerciantes, vigilantes)? Há objectos educativos no ambiente local? Como se pode “ler” a rua para ensinar os meninos sobre o mundo? Numa sala de aulas há um certo controle sobre o espaço educativo, mas o mesmo não se aplica à rua e por isso esta observação permite o melhor uso do espaço.

Cada dia há uma oficina de arte diferente: um dia de breakdance, outro de grafitti, outro de tambores. Os educadores estão na rua todos os dias, mas os oficineiro apenas comparecem uma ou duas vezes por semana para ensinar a sua arte. Os meninos e meninas podem participar ou não nas oficinas dependendo da sua vontade.

A filosofia de Paulo Freire, autor de A Pedagogia dos Oprimidos, é sempre a base da pedagogia do Pé no Chão, mas o Grupo não se limita ao conceito de educação popular deste autor. O conhecimento real dos meninos e dos oficineiro é fundamental, mas deve sempre existir um diálogo com o saber hegemónico e outros saberes de resistência. Por isso há um educador, que será a pessoa com maior formação e consciência do mundo, para contribuir naquilo que possa cair no âmbito de uma educação puramente popular (nb que esta crítica não é tanto de Freire, mas do uso ingénuo que muitos grupos fazem da sua filosofia). O educador coloca o conhecimento que os pobres têm de si mesmos em diálogo com o resto do mundo. Um exemplo desta prática é o resgate de histórias de família levado a cabo através de um acordo que o Grupo tem com o Movimento Sem Terra – os meninos investigam as suas famílias através de conversas com parentes e através de informação sobre as zonas rurais de onde provêm as suas famílias, informação esta fornecida pelo Movimento Sem Terra. Nesta investigação há um diálogo constante entre o conhecimento da família, o Movimento Sem Terra e outros movimentos políticos, a economia política (por que chegou a família à cidade em 1987?), a história cultural (quase todos os meninos são negros e por isso pergunta-se como é ser negro no campo? E na cidade?) e o discurso hegemónico da “Modernização” do Brasil. Os meninos também aprendem história da escravatura e de como os africanos mais fortes eram os sequestrados para serem escravos na América e que por isso têm genes poderosos e uma história nobre. Também aprendem como integrar a sua cultura na cultura urbana do grafitti e do hip-hop.

Com tanta reflexão sobre a sua própria metodologia, é claro que a formação é fundamental para os educadores. O Grupo é uma equipa pequena (4 educadores e menos de 10 oficineiros), o que permite um processo rápido de disseminação de conhecimento, mas também trabalha muito com Ruas e Praças e o Polo 3 do MNMMR.

O Pé no Chão entende que a sua educação de rua não é necessariamente uma formação profissional – embora haja alguns ex-alunos que agora são artistas profissionais, músicos, DJs ou educadores de artes noutros programas, estes são sempre uma minoria. O que o Grupo tenta oferecer são as ferramentas para a felicidade – independentemente da profissão que o menino ou a menina venha a ter na sua vida, sempre terá a música e a dança para captar alegria para si e para a comunidade.

Uma da partes mais interessantes e criativas da actividade do Pé no Chão é “O Eco da Periferia”, um projecto que pretende misturar arte urbana com militância política e activismo social. O grafitti e o hip-hop são maneiras óptimas de aprender sobre a globalização e sobre a vida de outros países (como é o rap na Alemanha? Os negros americanos também são excluídos? O que é a indústria mundial de cultura?), e os jovens são sempre muito curiosos sobre os activistas de outras partes do mundo. Assim, quando um evento importante tem lugar, os educadores têm uma maneira de o explicar e os meninos, as meninas e os jovens uma maneira de agitar para "fazer sacanagem". “O Eco da Periferia” é uma oportunidade de se ser reconhecido, de apresentar as suas obras e de fazer um espectáculo ao mesmo tempo que faz as pessoas pensarem sobre o poder e a política.

Em 2002, exemplos de “O Eco da Periferia” incluem uma manifestação em frente do consulado italiano quando a polícia italiana matou um jovem anarquista (as crianças mascararam-se de mortos), um espectáculo de tambores em oposição ao Tratado de Comércio Livre (com ritmos de todas as culturas que seriam mortas com o comércio livre) e vários atos para assinalar vítimas de violação de direitos humanos pelo governo ou pela sociedade. Os jovens activistas também fazem manifestações nas escolas e nas universidades, para consciencializar os alunos e para desconstruir as ideias que estes têm dos meninos de rua.

As políticas públicas são um campo importante para o Pé no Chão, mas o Grupo reconhece que não é o seu forte. Teve mais êxito com as escolas que pedem formação ao Grupo, mas quer motivar as melhores políticas de saúde pública e saneamento básico.

Como Ruas e Praças, o Pé no Chão desenvolveu uma boa metodologia para trabalhar com as famílias e a comunidade. Começa por uma perspectiva que parece estranha a muitos educadores de família: os pais são aliados na luta para ajudar os seus filhos e não recipientes de serviços. O problema é só como formar os pais para serem melhores aliados: assim, existe um processo paralelo à educação dos seus filhos. Quando os meninos vão passear pela praia, os pais vão na semana seguintes. Quando os meninos começam a aprender a ler, os educadores também alfabetizam os pais e mães. Os pais são sempre convidados para a rua para conhecer as obras artísticas dos seus filhos e para reconhecerem que as crianças têm poder e potencial.

Pé no Chão is one of of the best and most creative programs for street kids in Latin America, especially when it comes to street education and political activism. From its origins, it has hoped to provide a space for deeper reflection on pedagogy and politics.

When street kids in Recife tell their stories to strangers, they’ll always say, “Estou com pé no chão...” “I’ve got my feet in the dirt (because I have no money for shoes), struggling to survive...” At the same time, feet in the dirt means work than is based on the real life of the community, not some idealistic principle. In this way, the Pé no Chão captures two of the most important aspects of the group’s work.

From the beginning, Pé no Chão’s feet have been in the dirt: it’s first project was to research the real lives of Recife’s street kids. It went to visit the families of 60 children from the favela of Encrucilhada to ask why the children left home, how long they had been in the street, if they ever returned home...

At the beginning of the 1990s, most people in Recife thought that street children were abandoned or orphans, so the research went off like a bomb. Pé no Chão discovered that 78% of Recife’s street children kept up close relations with their families and that 80% used some kind of social service. This research inspired the best NGOs in Recife to adjust their emphasis more toward families and schools.

Because street kids said their had access to social services, Pé no Chão decided not to create new structures like shelters or soup kitchens. Instead, they decided to improve the lives of families in the favelas, the structures of power in poor families and in the government, and then to inspire kids to return to their communities. Pé no Chão insists that it wants revolutionary change, not just to help a couple of children.

Community work lies at the base of Pé no Chão’s philosophy, but it’s work always begins on the street, where it attempts to “transform the street into an educational space.” Unlike some other programs, it does not suggest that the street is educational in and of itself -- the street must be transformed if children are to learn real lessons. For this reason, when street educators arrive on the scene, they first clean the street, picking up trash, then cleaning the sidewalk with soap and water. Then they set up a huge open sided tent to create a “space on the street but not of the street.” The tent provides shade and sets up a place that belongs to the kids -- if an adult or a policeman wants to come in, he must ask the children’s permission.

Educators come to the street with a “toy suitcase” and a “mobile play room” (the second is a converted van). Inside the tent, the children understand that they have to accept certain rules, so they take care of the toys, don’t hit each other, and don’t use drugs. The can do this because the tent provides a new context where they can behave in a new way; it is a transitional space, the antechamber to a different life.

Pé no Chão’s work is based entirely on artistic, linguistic, and political expression. Speech and self expression are tough for street kids, because most have spent little time in school and because they have adopted a fixed and simple discourse when they beg. Passers-by think that street kids are trash, so the self-expression they adopt is often that of trash, something pitiable and filthy. The educator’s first task is to break this mirror, allowing children to think of themselves in a new way.

Pé no Chão does this work through the urban arts: hip-hop, graffiti, breakdancing, and drums. Educators also work with sculpture and painting based on trash: when they clean the street, they keep the trash, clean it, and help the children make paintings, sculptures, or found-objects (in the tradition of Marcel Duchamps). The metaphor is obvious: people think that this is trash, but we can turn it into art. People think you are trash, but you can make your own life into art.

Street teams break into two roles: the educator and the workshop leader. The workshop leader is an artist -- a breakdancer, a drummer, an artist of graffiti -- while the educator is a professional teacher. While the workshop leader teaches, the educator observes. In a classroom, there is a certain control over the educational space, but that’s not true on the street, so the educator must ask what stands in the way of learning? Is everyone interested? Are the children afraid of anyone? What is there in the local environment which can teach children about their world? How can one “read the street”?

Each day, Pé no Chão offers a different workshop: a day of breakdancing, then one of drums, then one on graffiti. Educators are on the street every day, but workshop leaders are under contract, so they only come to teach their subject. Children can come to as many or as few workshops as they wish.

Pé no Chão’s pedagogy is always based on the philosophy of Paulo Freire (author of Pedagogy of the Oppressed), but it always goes beyond his ideas. Like Freire, Pé no Chão believes that the subjective knowledge of poor and oppressed people must be the base of education, but the program focuses more on the dialogue between local knowledge and international, “hegemonic” knowledge. The educator, who has been to the university to study, plays this role, putting the knowledge that poor people have about themselves into dialogue with the rest of the world. One example of this work is a collaboration with the MST (Landless Movement), where Pé no Chão helps children to find out about their family history by putting them in touch with the peasants who still live in the places where the children’s parents came from. Educators use this dialogue as a way to talk about family relations, political movements, political economy (what forced you parents to leave the countryside in 1987? What was going on then?), cultural history (what is it like to be black in the countryside? In the city?), and modernization. Children also learn about the history of slavery and how African culture became Brasilian culture and urban culture.

Pé no Chão understands that street education may or may not lead to a job -- though some program graduates are now professional dancers, singers, or DJs, the majority will have to find another way to put bread on the table. Pé no Chão insists that it wants to offer children the “tools of happiness” -- even if a young man is working in the supermarket, he will always have art as a way to make sense of his life and to bring happiness to himself and his community.

“Echo of the Periphery” is one of the most interesting of Pé no Chão’s projects. The idea is to blend urban art with political activism and learning about the world. Hip hop turns out to be a great way to learn about the globalization and life in other countries, because the kids hear a rap from Germany, then begin to ask, “there are blacks in Germany? What is their life like? Turks rap too? But who are the Turks? Why are they in Berlin? And why is it that everyone is rapping these days?” Because the kids love the music, they become curious about what lies behind it. Then, when an important event happens in the world, educators have a way to explain what happened and the kids have a way to imagine a response. Echo from the Periphery wants to “make fun of society” through art, making people think about power and politics.

In 2002, examples of this program included street theater in front of the Italian Consulate after the death of a protester in Genoa (the children put on makeup and pretended to be dead), a drum show to protest the Free Trade Area of the Americas (with beats from all of the cultures that would be killed by free trade), and constant events to commemorate victims of human rights abuses. The program also stages events in schools and universities, which raises consciousness and deconstructs people’s ideas about street kids.

Pé no Chão also works with families and communities. It begins from the perspective that families are allies in the effort to help their children -- they are not people “who need help” or “who need to change.” Pé no Chão trains parents to be better allies, and in the end, this means that the families change more than they would have in the hands of a social worker. This training is parallel to the education of their children: after the kids take a trip to the beach, Pé no Chão takes their parents to the same beach. When children learn to read, educators go to the favelas to work on reading with their mothers. Parents are always invited to the street to see their children’s artwork or performances, which changes everyone’s ideas about each other.

El Grupo Pé no Chão es uno de los proyectos más innovadores y creativos en educación de calle y activismo político, un verdadero modelo para cualquier programa que quiera mejorar su pedagogía callejera. Surgió con la propuesta de reflexionar sobre la pedagogía y la política, e ir más allá de Paulo Freire.

"Pé no Chão" es un dicho de los niños callejeros de Recife cuando ellos piden limosna: "Estoy con los pies sobre la tierra (porque no tienen dinero ni para sandalias), luchando para comprar mi pan de cada día". Pero tener los pies en la tierra también quiere decir tener una práctica fundamentada en la cotidianidad y la realidad social. Así, el nombre capta la parte esencial de la misión del Grupo.

Para partir con los pies sobre la tierra, el Grupo comenzó haciendo la primera investigación profesional sobre niños y niñas callejeros en Recife. Buscando conocer en detalle la vida de los niños, fueron a hablar con las familias de 60 niños que provenían de la favela de Encrucilhada: ¿Por qué abandonaron la casa? ¿Cuál era su horario en la calle? ¿Han vuelto a su casa? ¿Tenían relaciones con algunos parientes? ¿El género era importante?

En este momento (al principio de los años 90), la mayoría de la gente en Recife pensaba que los niños de la calle eran abandonados o huérfanos, por lo que los resultados de la investigación constituyeron una bomba. Descubrieron que el 78% de los niños de la calle tenían fuertes vínculos familiares, y que todos se habían matriculado en la escuela pública en algún momento. Igualmente, el 80% eran abordados por una o varias entidades de servicio social. Esta investigación exigió una nueva orientación de servicios para los niños y niñas de la calle, más destinados hacia la familia y la escuela. El Grupo se dedicó a este programa.

Pé no Chão resolvió no armar nuevas estructuras – casas, hogares, centros de día, etc – porque su investigación indicó que el trabajo con familias y escuelas iba a ser mucho más eficaz. También sabía que mejorar las condiciones de las favelas y las escuelas de las favelas podría cambiar las estructuras de poder. El grupo siempre ha querido ser un movimiento revolucionario, y no sólo una ONG que ayuda a algunos niños.

Esta propuesta comunitaria constituye la base de la filosofía del grupo, pero su trabajo siempre empieza en la calle. Sin embargo, sus reflexiones teóricas sobre la educación callejera llevan a Pé no Chão más allá de la mayoría de los proyectos que trabajan en la misma propuesta. No postula que la calle en sí es un espacio pedagógico, sino que exige la construcción de una calle digna para educar en todos los sentidos de la palabra. Así, pues, el primer acto de los educadores es limpiar la calle o la plaza, botando la basura en el basurero y limpiando el piso con agua y jabón. Después, arman una gran tienda amarilla (símbolo del sol) y rojo (símbolo de lucha), casi como una tienda de circo, para construir un ambiente callejero pero fuera de la calle. Esta tienda protege del sol y constituye un lugar que pertenece a los niños y niñas – si un policía u otro adulto quiere entrar, debe pedirle el permiso a ellos.

Los educadores llegan a la calle con herramientas lúdicas: maletas con juegos y un micro-bus que sirve de ludoteca móbil. Dentro de la tienda, es fácil llegar a nuevas reglas: respeto por los juguetes, no violencia, no droga... También les indican que este espacio es sólo un lugar de tránsito, una salida de la calle hacia otra vida.

La expresión artística, política, y lingüística es la base de todo el trabajo del grupo. Lamentablemente, lograr expresarse es dificilísimo para niños y jóvenes que viven en la calle, porque tienen niveles muy bajos de escolaridad y porque han adquirido un discurso fijo y limitado a raíz de pedir limosna. Los habitantes de la ciudad piensan en ellos como desechables, y así la auto-expresión más fácil para los niños es una representación del concepto de “basura” que creen ser. La primera tarea de los educadores es romper este espejo para abrir un espacio hacia una nueva identidad.

Pé no Chão hace esta tarea a través de las artes urbanas: hip-hop, grafiti, break-dance, y tambores. También trabaja en artes plásticas que salen de la basura: cuando limpian la calle, siempre se reservan aquellas piezas de basura que pueden ser recicladas y trasnformadas en “arte-encontrada”. La metáfora es la siguiente: La gente cree que tú eres basura, pero aún la basura no es basura. Tu vida también puede ser una obra de arte!

Los equipos de la calle dividen su labor interpretando dos papeles: educadores y "talleristas". L@s “talleristas” son expert@s en el arte – grafiteros, bailarines de hip-hop, o percusionistas – y l@s educadores son pedagog@s profesionales. Mientras l@s talleristas enseñan, l@s educadores observan el ambiente y los niños: ¿Qué impide el buen aprendizaje? ¿Están todos interesados? ¿Todos participan? ¿Hay miedo por la presencia de otros actores en la plaza (policías, comerciantes, vigilantes)? ¿Hay elementos que sirvan para educar en el ambiente local? ¿Cómo se puede leer la calle para enseñar a los chicos sobre su mundo? La calle no es una sala de clase, y esta observación permite el mejor uso del espacio.

Cada día hay un taller diferente: un día de break-dance, otro de grafiti, otro de tambores. L@s educadores siempre participan, pero l@s talleristas solo vienen una o dos veces por semana. Los niños y niñas pueden participar en cuantos talleres quieran.

La filosofía de Paulo Freire está siempre en la base de la pedagogía de Pé no Chão, pero la organización no se limita a la educación popular. El conocimiento auténtico de los niños y l@s talleristas es fundamental, pero este conocimiento siempre debe estar en diálogo con el saber hegemónico y otros saberes de resistencia. Por eso hay un educador, quien será una persona con mayor formación y conciencia del mundo, que permita realizar la conexión entre el saber académico y el ámbito de una educación puramente popular (esta crítica no es tanto de Freire, sino del uso que muchos grupos hace de su filosofía). Un ejemplo de esta práctica está en el rescate de historias de familia – los niños investigan sus familias a través de conversaciones con sus padres y a través de un convenio que el grupo tiene con el Movimiento Sin Tierra, que brinda información sobre las zonas campesinas de donde provienen sus familias. En esta investigación, hay un discurso constante entre el conocimiento de la familia, el Movimiento Sin Tierra, la economía política (por qué razón llegó la familia a la ciudad en 1987), la historia cultural (casi todos los niños son negros), y el discurso hegemónico de la "modernización" de Brasil. Los niños aprenden que los africanos más fuertes eran los secuestrados para ser esclavos en América, puesto que tenían genes poderosos y una historia noble. También aprenden cómo integrar su cultura a la cultura urbana del grafiti y el hip-hop.

Con tanta reflexión sobre su propia metodología, es claro que la formación es fundamental para los educadores. Es un equipo pequeño (4 educadores y menos de 10 talleristas), lo que permite un proceso rápido de diseminación de conocimiento, pero también trabajan mucho con Ruas e Praças y el Polo 3 del MNMMR.

Pé no Chão entiende que su educación callejera no es necesariamente una formación profesional: a pesar que algunos de sus graduados son ahora artistas profesionales, músicos, DJs, o educadores en arte en otros programas, éstos serán siempre una minoría. Lo que el Grupo intenta brindar son las herramientas para la felicidad, de manera que sin importar el tipo de trabajo que el niño o la niña tengan en su vida, siempre tendrán la música y la danza para captar la alegría.

Una de las partes más interesantes y creativas de la actuación de Pé no Chão es "El Eco de la Periferia", un proyecto de militancia política y activismo social. El grafiti y hip-hop son vías maravillosas de aprender sobre el contexto global y la vida en otros países (¿Cómo es el rap de Alemania? ¿La población negra estadounidense también está excluida? ¿Qué es la industria mundial de cultura?), y los jóvenes siempre demuestran mucha curiosidad sobre los militantes de otras partes del mundo. Así, cuando ocurre un evento importante en el mundo, l@s niñ@s y jóvenes pueden responder y crear formas de "tomarle el pelo a la sociedad", ("fazer sacanagem", un dicho más parecido al "mamagallismo" colombiano). Es una oportunidad de ser reconocido, de presentar sus obras, y de hacer un espectáculo.

En el último año, ejemplos del Eco de la Periferia incluyeron una manifestación representando muertos frente al consulado italiano cuando la policía italiana mató un joven anarquista, un show de tambores para oponerse al ALCA (Tratado de Libre Comercio), y actos constantes para conmemorar a las víctimas del gobierno o de la sociedad. Los jóvenes militantes también hacen manifestaciones en las escuelas y las universidades, para concientizar a los alumnos y para desconstuir las ideas existentes sobre los niños de la calle.

Las políticas públicas son un campo importante para Pé no Chão, pero el grupo reconoce que no es su fuerte. Ha tenido más éxito con las escuelas, las que piden capacitación del grupo. Sin embargo, el grupo pretende motivar mejores políticas de salud pública y saneamiento básico.

Como Ruas e Praças, Pé no Chão ha desarrollado una buena metodología para trabajar con las familias. Comienza desde una perspectiva que puede parecer extraña para muchos educadores de familia: los padres son aliados en la lucha por sus hijos, y no recipientes de servicios. El problema de cómo capacitar a los padres para ser mejor aliados se resuelve a través de un proceso paralelo a la educación de los hijos. Cuando los niños pasean por la playa, los padres van la siguiente semana. Cuando los niños comienzan a aprender a leer, los educadores también alfabetizan a los padres y a las madres. Los padres siempre son invitados a la calle para conocer las obras artísticas de sus hijos, y para reconocer que los chicos tienen potencial.